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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

VAZIO EXISTENCIAL II

Autoconsciência
            A autoconsciência é a conquista realizada pelo self após os primeiros meses da infância, quando surgem os evidentes sinais de que se é umas pessoa e não mais o animal irracional orientado apenas pelo instinto.
            Essa famosa concessão de tornar-se consciente, embora as dificuldades iniciais de identificação e os conflitos que surgem durante o processo de crescimento, é umas das mais belas aquisições do ser imortal, quando transitando no corpo. É a característica especial do ser humano, que pode raciocinar, compreender o significado dos símbolos, selecionar, por preferência pessoal, aquilo que lhe é apetecível, deixando de lado o desagradável, que pode elaborar esquemas em torno de abstrações, de considerar o ético, o estético, o nobre, diferenciando-os do vulgar, do grosseiro e do indigno.
            A autoconsciência amplia os horizontes emocionais e psíquicos do ser, propiciando-lhe a libertação de tudo quanto o junge ao passado, desde que haja o esforço de aceitação dos novos desafios existenciais.
            Somente nos sonhos se apresentarão os símbolos tormentosos que devem ser trabalhados, à medida que a autoconsciência favorece o self com a sua realidade e soberania em relação ao ego, que passou a existir a partir do momento do raciocínio, do discernimento entre o ser e o estar.
            Este despertar  da autoconsciência levam aos conflitos, de culpa e do remorso. Muitos indivíduos aspiram ao não sofrimento que se deriva da autoconsciência, preferindo as noites dormidas longamente, sem sonhos catárticos, representativos dos conflitos que estão sendo eliminados. Em conseqüência, não teriam idéia do seu próprio estado.
            É essa conquista que o libertará da ansiedade e das suas tramas, eliminando a culpa, o desprezo de si mesmo, a perda de sentido, o vazio existencial, embora os propicie em determinados estados de desenvolvimento, dando-lhe significado psicológico, alegria de viver, realização plenificadora.
            O self é a incomum capacidade de gerar relacionamentos entre os indivíduos de forma consciente e produtiva, sem os automatismos do instinto, podendo optar por uns em detrimento de outros, em razão de afinidades e de conceitos, de emoções e de sentimentos. É a consciência da individualidade e não uma faculdade apenas intelectual. Sem dúvida que se trata do despertar do espírito enclausurado na argamassa celular, diferindo-o do psiquismo em evolução no reino animal mais primitivo...
            Esse self, quando coerente e saudável, recusa-se ao abandono que o indivíduo em transtorno de comportamento se permite, quando o ego encontra-se atormentado e instável. É a sua faculdade de optar, de  discernir, que irá trabalhar pela recuperação das suas potências e da sua realidade, avançando para o estágio de numinoso.
            É impositivo da autoconsciência o amadurecimento psicológico mediante realizações internas e externas contínuas, superando dificuldades e acumulando valores transcendentes que impulsionam para níveis cada vez mais amplos e elevados.
            Por isso que, no estágio de autoconsciência, não se podem vivenciar estados vazios, manter vácuos interiores, perdendo o endereço da meta e entregando-se à ansiedade perturbadora, ao estresse devastador, ao desinteresse contumaz.
            A pessoa deve descobrir a finalidade da sua existência e como alcançar o objetivo de ser feliz, superando os conflitos ou tratando-os, vivendo de maneira clara e sem culpa, usufruindo os dons da existência e aperfeiçoando-se sempre.
            Quando se adquire autoconsciência – realizando-se a identificação entre o self e o ego – torna-se possível preencher os espaços afligentes do mundo interior, nunca se atirando ao desprezo, ao abandono de si mesmo, à vacuidade.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

VAZIO EXISTENCIAL I

Psicogênese da Perda de Sentido
            O indivíduo renasce assinalado por debilidade de forças morais, que resulta da indisciplina e da falta de morigeração na conduta, durante as experiências evolutivas que não ficaram bem trabalhadas.
            Preso ao cordão umbilical da mãe, não amadurece psicologicamente a ponto de libertar-se, mantendo interesses imediatos, entre os quais a plenificação emocional através do conúbio sexual.
            Antes, porque os preconceitos eram muito severos em relação ao comportamento sexual, a culpa inscrevia-se-lhe nos refolhos da psique, atormentando-o e levando-o a uniões ligeiras, destituídas de sentido emocional profundo, sem a anuência do amor, nem o respeito que se devem todas as criaturas, umas às outras.
            Mais necessidade fisiológica do que expressão de realização afetiva, quando não lograva a completude, experimentava o vazio existencial, que se fazia acompanhar pela falta de outros objetivos existenciais.
            Lentamente, nesse estado emocional, perdia a própria identidade, mergulhando em aparências que pudessem agradar aos outros em detrimento da sua própria realização.
            Na atualidade, não obstante o sexo constitua um paradigma de comportamento essencial, a sua satisfação aligeirada continua destituída de significado profundo, que permita o equilíbrio das emoções e a segurança afetiva. A troca insensata de parceiros, na busca da variedade, ao invés de satisfazer  mais frustra, demonstrando que o intercurso sexual é mais um modismo da sociedade moderna que se considera liberta dos tabus do passado, do que realmente uma forma de expressar os sentimentos e trabalhar a ansiedade.
            Nessa busca desenfreada, transita-se de um estado de estresse para outro, sem que haja harmonia interior nas buscas efetuadas. As pessoas que compartem desses momentos são descartáveis, grátis ou remuneradas, bem ou mal situadas no contexto social, objeto de uso sem nenhum sentido psicológico realizador.
            Em face da rapidez dos momentos modernos, não se apresentam oportunidades para amadurecimento das emoções, para escolhas corretas, para reflexões e ponderações significativas. Os indivíduos são devorados pela volúpia do muito agarrar e do pouco reter. Há uma sofreguidão para aparecer, uma necessidade desesperadora para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, tombando na exaustão e levantando-se sob estímulos químicos ainda mais frustrantes.
            Vitimado, em si mesmo, o indivíduo, que perdeu o contato com o self, exaure-se no ego exigente e pouco gratificante, preocupando-se em ser espelho que reflete outras pessoas, suas opiniões, seus aplausos, suas desmedidas ambições.
            Aumenta-lhe a necessidade psicológica de esconder o sentimento e exibir a aparência, sobrecarregando as emoções com desaires e amarguras que procura dissimular no convívio com os demais até quando já não mais o consegue.
            A falta de metas, de objetivos, que assalta a consciência, dando lugar a indivíduos psicologicamente vazios.
            A grande maioria dos que assim se comportam intelectualizou-se, aprendeu a discorrer sobre temas variados, mesmo que superficialmente, mas aprendeu a trabalhar-se interiormente, a enfrentar os seus medos e culpas, sempre transferindo-os no tempo ou anestesiando-os no inconsciente.
            Compreende-se a necessidade das conquistas externas, que se torna uma forma de auto-realização, e afadiga-se a criatura por consegui-las, para logo constatar a sua quase inutilidade, por não preencher os espaços tomados pela angústia e pelas incertezas.
            Faz-se um abismo entre o self e o ego que se afastam um do outro, concedendo espaço para a desintegração da personalidade, para a esquizofrenia...
            Esse vazio existencial, de certo modo, também se deriva do tédio, da repetição de experiências que não se renovam, da quase indiferença pelas demais criaturas, sugerindo a inutilidade pessoal
            O advento da comunicação virtual, as intermináveis horas de buscas na internet, os encontros românticos de personalidades neuróticas e medrosas, estabelecendo perspectivas mais angustiosas, por se tratar de pessoas frustradas e inseguras, refugiadas em frente da tela do computador, procurando a ilusão de seres ideais, incorruptíveis, maravilhosos.
            Passada a fase de deslumbramento, iniciando-se a convivência, logo se constata o equívoco e a imaginação arquiteta novas fugas da realidade.
            Em tentativas inúteis de preencher este vazio, elaboram-se as festas alucinantes, volumosos, arrastando as multidões desassisadas e ansiosas, que se esfalfam no prazer anestesiante, para depois despertar no mesmo estado de vácuo interno, agora com os conflitos e culpar das loucuras perpetradas.
            Este vazio não significa ausência de significados internos, de valores adormecidos ou ignorados, mas sim, da incapacidade que toma do indivíduo, sugerindo-lhe impossibilidade ou inutilidade de lutar contra a maré das dificuldades, permitindo-se uma resignação indiferente, como mecanismo de autodefesa, que se transforma num grande vácuo interno.
            A pouco e pouco, porque se adapta à nova conjuntura, perde o interesse pelo desejar e pelo realizar, ficando amorfo, embora com aparência que corresponde aos padrões sociais, por mínima exigência do ego soberbo e rebelde.
            Perdido o respeito pelo grupo social e suas instituições, logo depois perde-o por si mesmo, deixando-se arrastar para profundos conflitos de inutilidade e de depressão.
           

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

DOR E SOFRIMENTO

            A dor situa-se no corpo e o sofrimento pertence a instâncias subjetivas perispirituais. Portanto doer é diferente de sofrer. O sofrimento pressupõe conexão com eventos passados, os quais provocam sensações e emoções geradoras de sentimentos de perda, rejeição, derrota, abandono, culpa, mágoa, dentre outros.
            A dor é uma sensação física e o sofrimento uma percepção do espírito. A repetição dos processos que causam dor pode levar ao sofrimento. O sofrimento pode promover renovação e experiência quando o espírito dele se utiliza para refletir sobre suas experiências pregressas, valorizando os efeitos em vivenciar o amor.
            O sofrimento surge como conseqüência de atos e pensamentos do ser em evolução; não se constitui em punição deliberada como alternativa de reparação a erros cometidos.
            A apologia ao sofrimento como forma de evoluir, não deve ser buscada, visto que a escolha representa defecção em si mesma. O amor é sempre a forma adequada de buscar o conhecimento das leis de Deus. O sofrer é opção construída pelo próprio indivíduo, por ignorância.
            Há pessoas que escolhem o sofrer, não por opção para evoluir, mas por entenderem ser a única via de solucionar seu conflito.
            A conexão com o sofrimento parece promover o retorno do indivíduo a si mesmo. Isso o leva a repensar sua vida e a tentar buscar uma ligação maior com aquilo que acredita ser Deus. Muitas vezes consegue conectar com um padrão de lamentação e de consolo que o reconforta, mas não lhe acrescenta crescimento espiritual. Às vezes, o sofrimento faz o indivíduo conectar-se com Deus quando também se liga com sua própria força interior, isto é, com o deus interno.
            O sofrimento também possibilita o aumento do campo de percepção do ser pelas ligações que automaticamente faz com o inconsciente, ampliando a consciência para a busca do crescimento espiritual. Esta possibilidade estará condicionada ao estado psíquico e à auto-estima do indivíduo, a qual não deverá permitir um padrão de tendência derrotista e lamentosa.
            Os processos de sofrimento que se experiênciam nas várias vidas e que se acumulam psiquicamente exigindo compreensão e transformação, não alcançam a consciência, em face do mecanismo reencarnatório do esquecimento do passado. O esquecimento na reencarnação torna-se uma espécie de defesa contra o “sofrimento” acumulado.
            A dimensão que emprestamos ao sofrimento, ou melhor, a energia com que focamos os processos que nos causam desconforto é fator fundamental para sua permanência.
            A saída do padrão de sofrimento é proporcionada quando se busca conexão com os propósitos pessoais da existência. Os objetivos de vida e as finalidades pelas quais se pretende viver devem ser motivadores para a mudança do padrão que caracteriza o sofrimento. Embora ele possa, e o faz, ampliar as percepções da alma, não significa dizer que deve ser buscado para o crescimento espiritual. Caso ele ocorra, por força de mecanismos expiatórios, deve ser encarado como oportunidade de alcançar as forças interiores da alma em equilíbrio e harmonia com a própria vida.

Do livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO
Adenáuer Novaes

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

ANDRÉ LUIZ - biografia

André Luiz, em sua última encarnação foi um médico brasileiro residente no Rio de Janeiro. Com bons conhecimentos científicos e grande capacidade de observação, foi-lhe permitido relatar, através do médium Francisco Cândido Xavier, suas experiências como desencarnado. Desejando manter o anonimato - possivelmente respeitando parentes ainda encarnados - quando questionado sobre seu nome, respondeu adotando o nome de um dos irmãos de Chico Xavier. 
Alguns espíritas, talvez mais levados pela curiosidade do que por fins práticos, já criaram algumas hipóteses sobre a identificação do médico carioca desencarnado, mas são apenas especulações sem maior solidez ou confirmação pelo próprio André Luiz. O primeiro livro de André Luiz é de 1943. Neste livro ele descreve sua chegada ao plano espiritual, iniciando pelo período de perturbação, imediato após sua morte, seguido pelo seu restabelecimento e primeiras atividades,  até o momento em que se torna "cidadão" de "Nosso Lar", colônia espiritual que dá nome ao livro. 
Seguem-se outras obras que descrevem experiências e estudos do autor no plano espiritual, que ao longo delas, observa-se a tarefa de esclarecimento dos encarnados sobre as realidades do plano espiritual, através da mediunidade de Francisco Cândido Xavier (as datas são dos prefácios de Emmanuel): 
26 de fevereiro de 1944 - Os Mensageiros, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
13 de maio de 1945 - Missionários da Luz, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
25 de março de 1946 - Obreiros da Vida Eterna, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
25 de março de 1947 - No Mundo Maior, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
18 de junho de 1947 - Agenda Cristã, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
22 de fevereiro de 1949 - Libertação, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
23 de janeiro de 1954 - Entre o Céu e a Terra, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
3 de outubro de 1954 - Nos Domínios da Mediunidade, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
1 de janeiro de 1957 - Ação e Reação, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
21 de julho de 1958 - Evolução em dois Mundos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
6 de agosto de 1959 - Mecanismos da Mediunidade, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
17 de janeiro de 1960 - Conduta Espírita, médium Waldo Vieira, FEB
4 de julho de 1963 - Sexo e Destino, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
2 de janeiro de 1964 - Desobsessão, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
18 de abril de 1968 - E a Vida Continua, médium Francisco Cândido Xavier, FEB
21 de maior de 1975 - Respostas da Vida, Médium Francisco Cândido Xavier, IDEAL 
Além destes livros, André Luiz, também participou de obras conjuntas com outros autores espirituais, principalmente Emmanuel. A relação abaixo, indica algumas destas obras (as datas são dos prefácios): 
9 de outubro de 1961, O Espírito da Verdade, Autores Diversos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
2 de julho de 1963, Opinião Espírita, Emmanuel e André Luiz, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
11 de fevereiro de 1965, Estude e Viva, Emmanuel e André Luiz, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
15 de maio de 1965, Entre Irmãos de Outras Terras, Autores Diversos, médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira, FEB
3 de junho de 1972, Mãos Marcadas, Autores Diversos, médiun Francisco Cândido Xavier, IDE
3 de outubro de 1973, Astronautas do Além, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, J. Herculano Pires, GEEM
15 de maio de 1983, Os Dois Maiores Amores, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, GEEM
6 de agosto de 1987, Cura, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, G.E.E.M
17 de janeiro de 1989, Doutrina e Aplicação, Autores Diversos, médium Francisco Cândido Xavier, CEU 
A obra mediúnica de André Luiz teve - e ainda tem - uma influência considerável sobre o movimento espírita. Suas descrições do plano espiritual - tornando mais preciso e detalhado nosso conhecimento do mesmo - estabeleceram novo patamar de compreensão da vida espiritual, também incentivaram a criação de instituições espíritas devotadas as atividades assistências e grupos de estudos inumeráveis. Por exemplo, temos as "Casas André Luiz" e o "Grupo Espírita Nosso Lar", que se dedicam ao atendimento de crianças deficientes; a "Casa Transitória Fabiano de Cristo", que se  dedica ao atendimento de gestantes carentes; o grupo "Os Mensageiros" que se dedica a distribuição gratuita de mensagens espíritas; a própria Associação Médico-Espírita, que tem aprofundado o estudo das obras mediúnicas de André Luiz e suas relações com a prática médica.

É interessante observar que o primeiro livro de André Luiz causou grande impacto pela novidade de suas informações, alguns chegaram a contestar suas descrições de uma vida espiritual muito semelhante a que levamos na Terra, mas o acúmulo de evidências - deste mensagens descrevendo de modo fragmentário a vida espiritual, até obras completas de outros espíritos, por médiuns como Yvonne A. Pereira - provaram sua veracidade. O mais curioso é que descrições semelhantes já existiam desde os primeiros tempos do "Modern Spiritualism" - por exemplo, as que foram registradas por Andrew Jackson Davis (nasc. 1826 - desenc. 1910) - mas tinham caído no esquecimento.



domingo, 26 de dezembro de 2010

PEDAGOGIA E FELICIDADE

            Nunca a humanidade mendigou tanta atenção e afeto. Uma crise de autodesvalor, sem precedentes, assola multidões. O sentimento de indignidade é o piso emocional das feridas seculares que causam a sensação de inferioridade, abandono e falência. Não se sentindo amadas, almas sem conta não conseguirem superar os dramas da rejeição e os tormentos da solidão. Optam pela falência não assumida. Uma existência sem sentido, vazia de significados, sem metas; a caminho da derrocada moral e espiritual.
            Somente o tratamento lento e perseverante de tecer o manto protetor da segurança íntima, utilizando o fio do auto-amor, poderá renovar essa condição interior do ser humano.
            Agrilhoado pela ilusão do menor esforço, o homem busca a ilusão como sinônimo de paz. Anseia-se pela felicidade como se tal estado da alma pudesse ser fruto da aquisição de facilidades e privilégios.
            Contudo, a felicidade é uma conquista que se faz através da educação de si mesmo. Busca-la no exterior é dar prosseguimento a uma procura recheada de decepções e dor.
            Educar para ser feliz é dar sentido à existência. O homem contemporâneo padece a doença do sentido. O vazio existencial é o corrosivo de seu mundo íntimo.
            Quando um homem descobre que seu destino lhe reservou um sofrimento, tem que ver neste sofrimento também uma tarefa sua, única e original. Mesmo diante do sofrimento, a pessoa precisa conquistar a consciência de que ela é única e exclusiva em todo o cosmo dentro desse destino sofrido. Ninguém pode assumir dela o destino, e ninguém pode substituir a pessoa no sofrimento. Mas na maneira como ela própria suporta este sofrimento está também a possibilidade de uma realização única e singular.
            A primeira condição para se estabelecer um sentido à vida é o exercício da singularidade. Descobrir seus próprios caminhos, lutar por seus sonhos, celebrar sua diversidade aceitando suas particularidades, participar da vida como se é, sentir o gosto de se desligar de uma vida centrada no ideal e realizar-se no real.
            A vida em si mesma não tem um sentido, algo que se possa definir através de padrões ou princípios filosóficos. Esse sentido é construído pelas percepções individuais sob as lentes da singularidade humana que, a partir de diretrizes gerais, capacita-se a seguir sua rota intuitiva na direção da perfeição.
            O homem pode suavizar ou aumentar o amargor de suas provas, conforme o modo por que encare a vida terrena. O modo de encarar ou perceber a vida terrena é a leitura pessoal de ser no mundo.
            A felicidade resulta da habilidade de consolidar esse sentido a partir do olhar de impermanência. O enfoque da transitoriedade e do desprendimento.
            Quase sempre sentimo-nos seguros adotando o parecer da maioria, um sentimento natural até certa etapa da jornada de crescimento. Chegará, porém, o instante em que a vida convidar-nos-á ao processo inevitável das descobertas singulares. Isso não significa estar alheio à convivência, ao processo de interação grupal. É apenas ter mais consciência do que convém ou não ao desenvolvimento individual na interação social.
            Nas nossas frentes de serviços doutrinários somos convocados a urgente auto-avaliação nesse tema para erguimento da felicidade pessoal. Com um movimento acentuadamente dirigido para a coletivização, a uniformidade de conceitos e práticas escasseia o estímulo ou aceitação para a diversidade. Nesse contexto, freqüentemente, idéias criativas e condutas diferentes são acolhidas com descem. Esfriam relações e ensejam a indiferença. São tachadas de personalismo e vaidade. Mais uma razão para tecer o auto-amor e investigar a forma pessoal de caminhar.
            Sem medo do individualismo, que é muito diferente da individuação, é imperioso aprendermos a investigar o coração em busca do mapa singular do Pai à nossa jornada de aprimoramento. Quem se ama vive a maravilhosa experiência de sentir brotar em sua alma, espontaneamente, uma cumplicidade poderosa com a vida, o próximo e a Obra Divina. Quanto mais amor a quem somos, mais amamos a vida. O sentido da existência está no ato de percebermos o que significamos na Obra Paternal.
            O segundo ponto essencial na construção do sentido é desenvolver a habilidade de superar o sofrimento. O prazer de viver surge quando, efetivamente, entendemos as razões de nossas dores e como supera-las. Sofrer e não saber o que fazer para sair dessa roda de dores: nisso consiste o carma, a roda da vida. Possuir valores e não saber como utiliza-los para o bem: nisso reside o carma sutil da nobreza das intenções em conflito com a conduta que adotamos.
            Quando desenvolvemos a arte de abrir o cadeado de nossas mazelas, soltamo-nos para novas vivências. Desprendemos das velhas amarras mentais, dos complexos afetivos, dos condicionamentos. Quando aprendemos a lidar com nossos valores, a vida se plenifica.
            A dor existe para incitar a inteligência na descoberta de soluções em nós mesmos. A grande lição nesse passo é descobrir as causas das aflições. O sentido da existência não está fora, mas dentro de nós. Podemos compartilha-lo com o outro, entretanto, ele não depende do outro.
            Como temos dificuldade em assumir a nossa fragilidade! Quanta dificuldade demonstramos para admitir nossa falibilidade! Sentimo-nos pequenos, incompetentes ao nos deparar com as batalhas não vencidas ou com as imperfeições não superadas, agravando ainda mais as provações.
            Que tormentos se poupa aquele que sabe contentar-se com o que tem, que nota sem inveja o que não possui, que não procura parecer mais do que é.
            Ser feliz é contentar-se com o que se é sem que isso signifique estacionar. É o amor a si.
            Nisso resume a consolidação do sentido da vida:
  • Saber quem somos, o que a vida espera de nós, a missão particular, única e intransferível. É o exercício da singularidade.
  • Zelar pela manutenção desse processo de individuação através da superação das mensagens inconscientes de desvalor e incapacidade, diante de nossos sofrimentos, integrando-as ao self translúcido, que se encontra ao nosso inteiro dispor.
Uma pedagogia de felicidade deve assentar-se no auto-amor em busca do self reluzente. Desenvolver as habilidades da inteligência espiritual, tais como autoconsciência, resiliência, visão holística, alteridade, autoconfiança, curiosidade, criatividade, disciplina no adiamento das gratificações, sensibilidade, compaixão, naturalidade. Eis alguns caminhos da pedagogia para a sanidade humana que poderão ser experimentados pelas nossas agremiações de amor em seus programas de consolo e esclarecimento:
  • Exercer dinâmicas de autoconhecimento
  • Compreender os mecanismos punitivos da culpa e como supera-los
  • Desenvolver técnicas de sensibilidade do afeto.
  • Fazer uso dos recursos psicoterapêuticos bem orientados pelos mentores espirituais.
  • Meditar
  • Orar
  • Implantação de pequenos círculos de diálogo sobre valores humanos
  • Participar de atividades de cooperação social, criando espaço para estudar os sentimentos decorrentes dessa prática.
  • Cultivar a crença de que todos somos dignos da Bondade Celeste em quaisquer circunstâncias
  • Desenvolver a autonomia.
Quem ama a si mesmo sente-se rico. É excelente companhia para si mesmo. Descobriu seu valor pessoal na Obra da Criação e tem consciência plena da Bondade do Pai em favor de sua caminhada individual. Todas essas sensações, é bom destacar, operam-se no reinado do coração, são sentimentos e não formas de pensar. Nisso reside o sentimento de merecimento ou, como costumamos nomear, a maior conquista espiritual para ser feliz. Não foi fruto de instrução, mas serviço de renovação efetiva nas matrizes da vida mental profunda, nas células afetivas.
      Quem se ama dispensa a imponência das máscaras. É feliz por ser quem é. Aprendeu que “Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra”.

Do livro: ESCUTANDO SENTIMENTOS – a atitude de amar-nos como merecemos
Wanderley de Oliveira/Ermance Dufaux

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

REFLEXÕES SOBRE O NATAL

                Chegou o natal. Com ele o duelo entre Papai Noel e Jesus. As pessoas hipócritas dirão: “Lógico que é Jesus, o vencedor!” mas, correm direto para as meças de consumo e traficam sentimentos através de presentes frios e inexpressivos. É desafiador conviver numa sociedade que quer paz através da justiça social, mas que ostenta a desigualdade através do materialismo.
                Papai Noel é a primeira mentira e estelionato junto às crianças. Elas aprendem a ser enganadas desde cedo. Alguns pais cultuam o “ter” em detrimento do “ser”. Ele representa a cultura materialista onde a pessoa vale pelo que tem. O materialismo, não a matéria, é a maior fonte de violência na nossa sociedade. As pessoas mentem, manipulam, exploram, agridem e matam pelo ter, para ter e ostentar o que tem.
                Alguns líderes religiosos, que fazem da fé sincera do povo meio de vida, costumam condenar os ateístas, pois eles não vão às igrejas e não se submetem aos dogmas e interesses religiosos. Mas, muitos ateus são cientistas, médicos, engenheiros, professores e vivenciam a espiritualidade na maneira de viver e conviver com as pessoas, enquanto que muitos que vivem da religiosidade são materialistas. Acabam de rezar e brigam na primeira esquina, valorizam as pessoas pelo que tem e não pelo que são, desprezam uma pessoa por ela discordar do seu ponto de vista, cultivam animais para matá-los em seguida, agridem a natureza com a sujeira das ruas, se suicidam pelo açúcar, pelo sal e pela gordura e chegam em casa aos gritos e berros.
                Necessitamos de menos religião e mais educação, menos reza e mais fé, menos oração e mais ação, menos templos religiosos e mais escolas, manos manipulação e mais esclarecimento. O aniversariante desse mês já disse: a espiritualidade – vivência de princípios divinos – é mais útil que a religiosidade – vivência de princípios humanos. Os espíritos livres e felizes, através de Allan Kardec, o maior pesquisador do mundo espiritual – que colocou os valores espirituais acima de qualquer religião através da fé raciocinada -, nos ensinam que devemos combater o materialismo, pois aí está a fonte de todos os males. A sua família é espiritualista ou materialista? Filhos que são doutrinados desde cedo pelo materialismo serão os mesmos que irão brigar pela herança dos pais.
                No natal a solidão dói como o vento gelado, aperta o peito, corta o coração e seca a garganta, embora os olhos estejam molhados e a casa cheia de gente. A sensação é horrível. Mesmo com toda a algaravia, onde muitos se anestesiam e fogem  do autoconhecimento pelas bebidas, drogas, comidas, leitoas, perus, aparências e coisas, as pessoas mais sensíveis, mais humanas e honestas, pensam e refletem. Muitas irão se transformar e iniciar a melhor parte de sua vida. Algumas poderão sentir tristeza, melancolia, desânimo. Outras, por estresse emocional, poderão chegar até mesmo à depressão ou, infelizmente, ao suicídio. Não queriam se matar, queriam apenas matar a dor interna. Em mais de 25 anos de psiquiatria, o autor nunca viu uma pessoa de mau caráter ter depressão. Quantos casos de depressão e suicídio acontecem nessa época. O culto à matéria não satisfaz as pessoas sensíveis porque elas não se contentam por coisas. Elas querem amor, afeto, amizade, felicidade entre as pessoas. E isso não se compra em loja e nem se embrulha para presente.
                A miséria do amor, a indigência do afeto, a mendicância do carinho e da atenção golpeiam o coração de muita gente. Se você quer ganhar essa existência pense no bem coletivo. Cultive desde já os valores espirituais acima dos valores materiais. Mostre que as pessoas, qualquer uma, quer acreditem em Deus ou não, tenham religião ou não, estão sempre acima das coisas. Assim como você fica deslumbrado diante de presentes caros, empolgue-se também pelas pessoas, que nem aparência tem, pois que são filhas do abandono e do desprezo da sociedade hipócrita, que quer Jesus, mas cultua Papai Noel.
                Pesquisadores do comportamento social afirmam que essa é a data da tristeza, data de Tamuz, deus pagão, filho de Semiramis, da Babilônia, que se apresenta em forma de pinheiro (árvore de natal). Tamus é o espírito da tristeza, pois era o símbolo da infelicidade entre os deuses. Segundo a lenda, a infelicidade se perpetuará entre todos aqueles que levantarem essa árvore. A depressão é caracterizada emocionalmente por três fatores: perdas, conflitos e frustrações não resolvidos. A depressão, maior dor do ser humano, incompreendida pelos ignorantes e sofrida pelos seres amorosos e sensíveis, pode significar também o início da melhor fase de sua vida se você fizer a grande transformação na sua maneira de pensar e de agir. A depressão representa a “parada obrigatória”, o pitstop emocional para que você se “reabasteça, faça as trocas necessárias e siga em frente para vencer a si mesmo”.
                Natal pode representar o renascimento de uma nova pessoa dentro de você. A oportunidade de refletir sobre o que pode e deve ser mudado para que você seja a sua própria fonte de felicidade. Você vai necessitar aprender a dizer não e desagradar muita gente. Nessa época, o presépio, como símbolo natalino, é mais significativo, pois ensina as crianças e relembra os adultos o valor da humildade, da simplicidade, do renascimento, do amor aos animais e, principalmente, do significado de Jesus, não como salvador, mas principalmente, como iluminador e libertador de consciências e relacionamentos, através da vivência do amor que gera felicidade junto às pessoas e da fé, capaz de realizar transformações e acontecimentos inesperados.
                Trocar a doença obesidade, a mentira, a preguiça, o carrasco que premia algumas crianças e castiga outra através do materialismo de Papai Noel pelo espiritualismo de Jesus, pode significar o início da espiritualização da sua mente, da sua vida, da sua casa. Entender Jesus, como modelo e guia para a felicidade de todos, gera liberdade, esperança, motivação, ânimo, energia, autoestima e alegria de viver. FELIZ NOVO VOCÊ NESSE MESMO NATAL!

Ururahy Botosi Barroso

Retirado da Revista Bem Viver – 19/12/2010
Encarte do Jornal Diário da Região de São José do Rio Preto
               

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

NEURASTENIA III

Terapia para a Neurastenia

            É indispensável que o neurastênico reconheça o estado em que se encontra e opte pela ajuda que lhe será valiosa, predispondo-se à aceitação do tratamento.
            Mediante os estímulos novos do psicoterapeuta ocorre a remoção da culpa e dos tormentos internos, através de uma análise da realidade em que o paciente se encontra, altera-se-lhe o anterior impulso para o trabalho como realização punitiva, abrindo-lhe campo não experimentado de prazer durante a execução das atividades.
            A conversa com o psicoterapeuta o levará à aceitação da própria realidade e à renovação dos conceitos existenciais favoráveis ao bem-estar.
            Como podem suceder recidivas, o psicoterapeuta deverá recorrer ao encorajamento constante do paciente sem exageros, transformando o distúrbio em quesito de menor importância, de maneira que possa experimentar alegria sem agitação a que se entregava e na qual parecia satisfeito.
            A bioenergia é valiosa no processo de recuperação, de forma que ocorra a renovação interior e se robusteçam as disposições íntimas para a saúde.
            O neurastênico espera sempre encontrar compreensão de todos, o que nem sempre é possível, tendo em vista as dificuldades que assinalam as demais pessoas. No entanto, é sempre viável a cooperação dos mais próximos.
            Com a visão diferente a respeito do mundo transitório e a certeza da imortalidade do espírito, os horizontes a serem conquistados se ampliam e o indivíduo torna-se mais alegre.
            Desse modo, o neurastênico adquire autoconfiança e o repouso torna-se-lhe refazente, permitindo que os fenômenos de perturbação cedam lugar ao equilíbrio e instale-se-lhe a saúde emocional.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis


terça-feira, 21 de dezembro de 2010

NEURASTENIA II

Desenvolvimento da Neurastenia

            A ansiedade surge em qualquer período da existência humana.
            À medida que se instala, irrompem os sintomas inquietantes, entre os quais a irritabilidade se destaca.
            Podem surgir acompanhados de inapetência ou glutoneria (figa do conflito interno não detectado pelo eu consciente).
            Com o tempo, os episódios de insônia ou de interrupção do sono aumentam de intensidade, tornando as noites do paciente desagradáveis e o despertar angustiante, exaustivo.
            Há sempre uma hiperfatigabilidade, preocupação demasiada com a saúde, insegurança no comportamento.
            No homem, os efeitos podem expressar-se também como impotência sexual, nas mulheres, as dismenorréias.
            Em estado mais avançado, surgem o processo patológico, paresias e complexidades nervosas que atormentam o enfermo.
            Sem orientação, ou desprezando-a quando a tem, mais ansiedade acrescenta às suas ações e atividades, piorando o quadro.
            Os relacionamentos fazem-se difíceis em face do mau humor, pessimismo e desconfiança a que se entrega.
            Podem-se acrescentar processos físicos de perturbação orgânica: extra-sistoles, debilidade de forças, sudorese fria e abundante, pulsação irregular, sempre sob injunção da ansiedade mórbida.
            A neurastenia é classificada de repressão incompleta pelo ego de impulsos do id. O impulso, quando reprimido, ameaça, embora a repressão procure impedir a sua irrupção na consciência e na conduta. Nas tentativas de defender-se de novos impulsos, toma corpo a conduta neurótica buscando de alguma forma a substituição deles, em esforço contínuo para afastá-los totalmente.
            Na essência de qualquer conflito está o espírito insatisfeito com a conduta assinalado pelo sofrimento decorrente do erro que necessita ser reparado, a fim de que haja o equilíbrio da consciência, portanto, a liberação da culpa nela embutida.
            Na jornada evolutiva as experiências dolorosas assinalam o ser por largo período, produzindo dificuldades de compreensão das finalidades essenciais e nobres da vida.
            Com o vivenciar de novas experiências tornam-se muito complexas as ocorrências que devem ser trabalhadas, dando lugar aos conflitos que se transferem de uma para outra reencarnação, gerando distúrbios de comportamento, indecisões, timidez, angústia, transtornos neuróticos, que o trabalho paciente da psicoterapia e da renovação pessoal logram superar.
            Nas análises das reencarnações sucessivas encontram-se as melhores respostas para toda sorte de perturbação e de impulsos incontroláveis que aturdem os seres humanos.
            Quando faltam o interesse por uma existência feliz e o discernimento para compreender e realizar a melhor trajetória para a felicidade, o indivíduo entra em agonia, sem confiança nem paz, que lhe ajude a prosseguir nos empreendimentos abraçados.
            A astúcia que caracteriza o primarismo do ser humano é responsável por atitudes infelizes que supõe compatíveis com os objetivos de conseguir resultados satisfatórios, utilizando-se recursos ignóbeis para os conseguir. Acreditando, o astuto, na ingenuidade alheia, esquece-se que a própria consciência torna-se o juiz reto que não pode ser ludibriado e que sempre impõe as punições reparadoras como recurso de tranqüilidade.
            Eis porque assomam tormentos e inquietações que parecem não ter procedência, quando, em realidade, são o ressumar dos comportamentos morais negativos que o mesmo se permitiu.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis


segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NEURASTENIA I

Psicogênese da Neurastenia

            A neurastenia é uma enfermidade de adaptação, apresentando alterações no mecanismo normal de adaptabilidade do indivíduo. Cientistas constataram um aumento de secreção da adrenalina sobre a atividade muscular, avolumando a combustão do glicogênio e produzindo a diminuição do nível da glicose no sangue, afetando o sistema neurovegetativo.
            É uma espécie de fuga da realidade, como escusa inconsciente do paciente em relação aos fracassos pessoais, às realidades de natureza perturbadora. Ocorre uma perda de interesse pelos acontecimentos e desmotivação para realizações enobrecedoras por ausência de auto-estima e de coragem para ultrapassar os limites exigíveis.
            O cansaço demasiado desempenha um papel fundamental na eclosão do processo neurastênico, por produzir a fatigabilidade que poderia ser transitória, não fossem a sua continuidade e permanência, tornando-se patológico esse esgotamento nervoso, decorrente da estafa, desde que o repouso não logra restabelecer o equilíbrio somático.
            É nesse estágio que se apresentam a irritabilidade, o mau humor, o pessimismo, caracterizando a presença da neurastenia.
            Não se trata somente do excesso de atividade em si mesmo, mas da forma como o trabalho é desenvolvido, das motivações que o promovem, das compensações que faculta. Noutras vezes é a falta de auto-confiança em relação ao seu êxito, ou da imposição exibicionista de aparecer, como também da timidez que necessita de proteção mesmo que inconsciente.
            Quando o móvel do trabalho é idealista e plenificador, os estímulos emocionais diluem a estafa ou facilitam a renovação de forças, sem que o cansaço desarticule os equipamentos do sistema de forças, sem que o cansaço desarticule os equipamentos do sistema vago-vegetativo.
            Na nosologia da neurastenia, a ansiedade é responsável pela incompletude do paciente que trabalhe com afã e, mesmo quando em repouso permanece em agitação, acreditando-se defraudador do tempo e de conduta irresponsável.
            A adrenalina secretada pelas glândulas supra-renais é desencadeadora de distúrbios glicêmicos, que poderiam apresentar-se em síndrome neurastênica.
            Incontestavelmente é o espírito o responsável pelo distúrbio, em face da culpa decorrente da ociosidade e da extorsão de outras vidas em existências pretéritas, agora gerando os processos de recuperação através da recuperação dolorosa.
            A instabilidade emocional em forma de labilidade impele-o ao trabalho descontrolado que o atormenta, quando deveria ser-lhe terapêutico.

Do livro: CONFLITOS EXISTENCIAIS

Divaldo Pereira Franco/Joanna de Angelis


domingo, 19 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...


Embora as circunstâncias a tal nos induzissem, não suspeitarmos mal de nossos semelhantes, abstendo-nos de expender qualquer juízo apressado e temerário contra eles, mesmo entre os familiares.





Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

sábado, 18 de dezembro de 2010

PRAZER

            É muito comum o ser humano viver em busca de obter prazer em tudo que faz e deseja. Parece ser algo tão natural que faz parte da cultura de todas as sociedades. Nem sempre, porém, o ser humano o faz de forma saudável e em vistas ao seu progresso espiritual.
            Distingo prazer de satisfação emocional, considerando que aquele se situa na ligação com a matéria, portanto dependendo dos sentidos, e aquela transcende essa conexão sendo de natureza subjetiva.
            A satisfação emocional é um estado de felicidade que conecta o espírito aos conteúdos de seu perispírito que lhe trouxeram e trazem íntima ligação com a criatividade e o amor.
            Na essência do prazer está o retorno à sensação primitiva do ser espiritual, nos primórdios da criação divina. O prazer nasce da ligação do ser com a matéria primordial. É no início de sua evolução que se enraíza o prazer, fruto do contato do espírito com a matéria.
            O prazer está no corpo físico e a satisfação emocional está no perispírito. Prazer precisa do corpo e a satisfação emocional prescinde dele ou de qualquer mecanismo que não seja psíquico para alcançá-la.
            O prazer é alcançado graças a estímulos ambientais, externos. A satisfação emocional utiliza-se dos estímulos internos e alcança a alma em sua essência.
            Muitas vezes o prazer se confunde facilmente com a dor, pois ambos pertencem ao corpo físico. No prazer o indivíduo necessita de algo externo, o que o transforma em objeto, abdicando de sua condição de sujeito. Ele passa a depender do corpo, submetendo-se aos instintos.
            O indivíduo torna-se sujeito quando tem o domínio e o equilíbrio do prazer do corpo e sabe obter a satisfação emocional independente dele.
            A estimulação do prazer pode levar o indivíduo ao aumento de seu limiar, exigindo-lhe cada vez mais altas doses de recompensa para sua obtenção. Essa prática introduz o vício, face ao automatismo corporal, induzindo tendências psicológicas de difícil reversão. O prazer e a dor caminham juntas por se localizarem no corpo.
            O prazer é distinto da felicidade. O ser humano foi feito para a felicidade. A felicidade é um estado permanente no qual o espírito se sente uno com Deus. O fim do ser humano não é o prazer, mas a felicidade.
            O prazer é uma sensação física. O princípio do prazer nos leva à fuga da realidade espiritual, isto é, nos aproxima do estado de inconsciência.

Do livro: PSICOLOGIA DO ESPÍRITO

Adenáuer Novaes

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...


Disciplinando nossa língua, só nos referirmos ao que existe de bom nos seres e nas coisas, jamais passando adiante notícias que, mesmo sendo verdadeiras, só sirvam para conspurcar a honra ou abalar a reputação alheia.




Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...


Ao revés, sabermos fazer-nos momentâneamente surdos quando alguém, habituado a escarnecer de tudo e de todos, nos atingisse com expressões irônicas ou zombeteiras.






Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...


Com sacrifício de nosso valioso tempo, sermos capazes de ouvir, sem enfado, o infeliz que nos deseja confiar seus problemas íntimos, embora sabendo de antemão nada podermos fazer por ele, senão dirigir-lhe algumas palavras de carinho e solidariedade.

Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...


Em determinadas situações, nos fazermos intencionalmente cegos para não vermos o sorriso desdenhoso ou o gesto desprezivo de quem se julgue superior a nós.


 



Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SER CARIDOSO É...

Fazer bom uso de nossas forças mentais, vibrarmos ou orarmos diàriamente em favor de quantos saibamos acharem-se enfermos, tristes ou oprimidos, sem excluir aqueles que porventura se considerem nossos inimigos.



Rodolfo Calligaris
Do livro: As Leis Morais

domingo, 12 de dezembro de 2010

SINOPSE DO LIVRO NOSSO LAR

Autor: Espírito André Luiz (pseudônimo espiritual de um consagrado médico que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro)
Psicografia: Francisco Cândido Xavier (concluída em 1943)
Edição: Primeira edição em 1944, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ). Neste trabalho: 48ª Edição/1998.


Capítulo a capítulo

Cap 1 – Nas Zonas Inferiores – Descrição fantástica do local onde o Autor Espiritual se encontrou após a desencarnação. Sentia-se permanentemente em viagem... Pouca claridade. Pavor por chacotas vindas de desconhecidos. Dificuldade para obter a bênção do sono. Lágrimas permanentes. Esteve próximo à loucura, prestes a perder a razão. Via seres monstruosos, irônicos, perturbadores... Recordações da existência terrena, quando gozava de prosperidade material e pais “extremamente generosos”.
Cap 2 – Clarêncio – Seres maldosos e sarcásticos gritavam a A. Luiz: “suicida, criminoso, infame”. Em vão tentou revidar. Com a barba hirsuta e roupa rompendo-se sofria mais pelo abandono que o envolvera. Não se conformava em ser acusado de suicida, pois sabia que não o fora, lembrando-se de haver morrido no hospital, após cirurgia intestinal. Sentia fome. Saciava-se com lama... Amiúde via manada de seres animalescos. Médico, sempre detestara as religiões, mas agora experimentava necessidade de socorrer-se de alguma delas. Estando já no limite das forças, orou . Em resposta, das neblinas surgiu o benfeitor Clarêncio, acompanhado de dois auxiliares. Foi conduzido para o “Nosso Lar”.
Cap 3 - A oração coletiva - Descrição de “Nosso Lar” e do ambiente de oração coletiva. Ao crepúsculo, um Espírito coroado de luz (o Governador Espiritual), seguido de 72 outros Espíritos (seus Ministros), entoam harmonioso hino. A.Luiz reconfortou-se.
Cap 4 – O médico espiritual – Hospitalizado, A.Luiz é atendido por um médico espiritual que comprova o “suicídio inconsciente” que praticou. É lição-alerta imperdível e inédita quanto a essa característica do comportamento da maioria dos encarnados.
Cap 5 – Recebendo assistência – Há pungente informação de Espíritos internados no “Nosso Lar” e que têm órbitas vazias (olhos gastos no mal...); outros são paralíticos ou não têm as pernas (locomoção fácil em atos criminosos...); outros em extrema loucura (por aberrações sexuais...). São citados os “germes de perversão da saúde divina”, agregados ao perispírito.
Cap 6 – Precioso aviso – A.Luiz “desabafa” com Clarêncio, que o ouve pacientemente. Recorda da esposa e dos filhos: onde e como estarão? Após ouvi-lo, Clarêncio sugere-lhe a auto-reforma de pensamentos e o silêncio das lamentações próprias. Diz-lhe: “No “Nosso Lar” dor significa possibilidade de enriquecer a alma”...
Cap 7 – Explicações de Lísias – A.Luiz descreve sua dificuldade de adaptação à “nova vida”. No “Nosso Lar” a natureza apresentava-lhe aspectos melhorados, em relação à Terra: grandes árvores, pomares fartos, jardins deliciosos, cores mais harmônicas. Todos os edifícios com flores à entrada. Lindas aves cruzavam os ares. Entre árvores frondosas, animais domésticos. Lísias explica que há regiões múltiplas, segundo hierarquia moral. A.Luiz pergunta pelos pais, que o antecederam e até agora não o procuraram... Lísias então lhe informa que sua mãe, habitando esferas mais altas, o tem ajudado noite e dia...
Cap 8 – Organização de serviços – A.Luiz visita a cidade “Nosso Lar”, indo ao Ministério do Auxílio: largas avenidas, ar puro, muitas pessoas indo e vindo. “Nosso Lar” tem 6 (seis) Ministérios (da Regeneração, do Auxílio, da Comunicação, do Esclarecimento, da Elevação e da União Divina), cada um orientado por 12 (doze) Ministros. Na História de “Nosso Lar” consta que foi fundado por “portugueses distintos”, desencarnados no Brasil, no século XVI.
Cap 9 – Problema de alimentação – Preciosas informações quanto ao abastecimento alimentar: em “Nosso Lar”, no passado, houve demandas; após, a alimentação passou a ser por inalação de princípios vitais da atmosfera e água misturada a elementos solares, elétricos e magnéticos. Só entre os mais necessitados é que há alimentos que lembram os da Terra.
Cap 10 – No Bosque das Águas – A.Luiz vai ao grande reservatório de água. Viaja no aeróbus, veículo aéreo semelhante a um grande funicular (veículo terreno cuja tração é proporcionada por cabos acionados por motor estacionário e que é geralmente usado para vencer grandes diferenças de nível). Vê um grande rio: o Rio Azul. É exaltada a importância da água, tão deslembrada dos humanos...
Cap 11 – Notícias do Plano – Como “Nosso Lar”, existem incontáveis outras colônias espirituais. É citada a de “Alvorada Nova”, vizinha. No “Nosso Lar” preparam-se reencarnações, após proveitosos aprendizados para as futuras tarefas planetárias.
Cap 12 – O Umbral – É descrito que o Umbral começa na crosta terrestre, como zona obscura para os recém-desencarnados. É região em torno do planeta e de profundo interesse para os encarnados. É local de grandes perturbações, pelas “legiões compactas de almas irresolutas e ignorantes”. Lá existem núcleos de malfeitores, verdugos e vítimas. Acha-se repleto de formas-pensamento de encarnados, sintonizados com os desencarnados que lá estão.
Cap 13 – No Gabinete do Ministro – A.Luiz apresenta-se a Clarêncio como voluntário ao serviço. Assiste ao diálogo do Ministro com uma voluntária, mãe, desejosa de proteger dois filhos encarnados. Tem notícia do bônus-hora (ponto relativo a cada hora de serviço).
Cap 14 – Elucidações de Clarêncio – O Ministro, com fraternidade expõe a A.Luiz que pelo seu passado não poderá ser médico em “Nosso Lar” e sim aprendiz. E isso devido a rogativas de sua mãe e graças às seis mil consulta a necessitados nos quinze anos de clínica médica terrena dele... Dos atendidos nessas seis mil consultas, quinze ainda fazem preces a seu favor.
Cap 15 – A visita materna – A.Luiz recebe visita de sua mãe, espírito excelso, que o consola com extremado amor. Vive em esferas mais elevadas.
Cap 16 – Confidências – A mãe de A.Luiz informa-lhe que o pai está à doze anos em zona de trevas compactas, conseqüência de mau procedimento quando encarnado, com ligações clandestinas e promessas não cumpridas a mulheres, do que resultou amealhar obsessoras vingativas. Sua mãe dá-lhe notícias de suas três irmãs (desencarnadas).
Cap 17 – Em casa de Lísias – A.Luiz é hospedado na casa da mãe de Lísias, onde conhece as duas irmãs dele. Vê livros maravilhosos e então lhe é dito que “os escritores de má-fé, que estimam o veneno psicológico” são conduzidos imediatamente para as zonas obscuras do Umbral, e lá permanecerão, até regenerarem-se...
Cap 18 – Amor, alimento das almas – Novas lições sobre alimentação no “Nosso Lar”. Na nutrição espiritual o Amor é o maior sustentáculo das criaturas. É citado que o sexo é manifestação sagrada do Amor universal e divino.
Cap 19 – A jovem desencarnada – A neta de Laura, recém-desencarnada, sofre ante a lembrança do noivo que, mesmo antes dela desencarnar, ligara-se a uma amiga sua. Laura emite preciosas lições sobre o Amor e sobre a fidelidade.
Cap 20 – Noções de Lar – O lar é esquematizado por conceitos matemáticos, acoplados a profundos conceitos morais.
Cap 21 – Continuando a palestra – Explicações sobre o bônus-hora: sua aquisição (com trabalho pelo próximo) e sua aplicação no “Nosso Lar”. É citado que a recordação do passado exige equilíbrio e forçá-la poderá causar desequilíbrio e loucura.
Cap 22 – O bônus-hora – Detalhes sobre essa interessante retribuição por serviços prestados, valorizando o trabalho pelo bem coletivo.
Cap 23 – Saber ouvir – Notas sobre a inconveniência da maioria dos desencarnados terem notícias dos encarnados com os quais se ligavam. Geralmente, ocorrem desequilíbrios...
Cap 24 – O impressionante apelo – Notícias (Agosto/1939) da 2ª Guerra Mundial, então prestes a eclodir... Ouve-se em “Nosso Lar” apelos de uma emissora espiritual, solicitando voluntários à assistência a coletividades terrenas indefesas, que sofrerão os horrores de uma grande guerra...
Cap 25 – Generoso alvitre – Sugestões de Laura a A.Luiz quanto às futuras atividades que ele poderá exercer em “Nosso Lar”.
Cap 26 – Novas perspectivas – A.Luiz vai às “Câmaras de Retificação”, localizadas em pavimentos de pouca luz, onde estão hospitalizados Espíritos necessitados nos primeiros tempos de moradia em “Nosso Lar”.
Cap 27 – O trabalho, enfim – Nas “Câmaras de Retificação” A.Luiz fica impressionado com os quadros de sofrimento dali: “milionários das sensações físicas, transformados em mendigos da alma”. Espontaneamente, num ato de exemplar humildade, se transforma em auxiliar da limpeza de vômitos de substância negra e fétida - fluidos venenosos expelidos por Espíritos que se beneficiaram de passes.
Cap 28 – Em serviço – A.Luiz prontifica-se (sendo aceito) a trabalhar no período noturno nas “Câmaras de Retificação”.
Cap 29 – A visão de Francisco – A terrível angústia do Espírito que vê o próprio corpo e julga-o um monstro a atormentá-lo (esse Espírito era excessivamente apegado ao corpo físico e faleceu por desastre, só deixando-o quando, tomado de horror, vê os vermes desfazendo os despojos).
Cap 30 – Herança e eutanásia – A disputa entre familiares por herança... Triste caso de eutanásia, associada a interesses financeiros de um dos herdeiros.
Cap 31 – Vampiro – Há a impressionante narração do Espírito de uma mulher que queria adentrar no “Nosso Lar”, pelos fundos, sendo impedida pelo vigilante-chefe por se tratar de “forte vampiro” (trazia impressos em seu perispírito 58 pontos negros, correspondentes a igual número de abortos que praticara...). Sua admissão nas dependências de “Nosso Lar” colocaria em perigo os pacientes lá internados.
Cap 32 – Notícias de Veneranda – Em “Nosso Lar” existem os “Salões Verdes” por toda parte. São parques em árvores acolhedoras, locais de conferências ministeriais — foram criados sob inspiração superior da Ministra Veneranda, que possui o maior número de bônus-hora: um milhão de horas de trabalho útil (em 200 anos de atividade ali).
Cap 33 – Curiosas observações – A.Luiz reflete sobre sua vida de chefe de família que pouco edificara no espírito da esposa e filhos. Assusta-se quando vê dois elevados Espíritos ainda encarnados, em visita ao “Nosso Lar”, pois apresentavam características diferentes, em relação aos Espíritos desencarnados dali. Em passeio, vê cães, pomares e íbis junto às equipes socorristas, vindo a saber que prestam precioso auxílio quando das incursões no Umbral.
Cap 34 – Com os recém-chegados do Umbral – A.Luiz atende uma senhora assistida pelos Samaritanos e por imprudência abre diálogo improdutivo com ela, movido por curiosidade. Ela se desfaz em lamentações. A.Luiz é advertido por Narcisa.
Cap 35 – Encontro singular – A.Luiz encontra-se com antigo conhecido, o qual foi prejudicado por seu pai e por ele próprio, quando encarnados. Arrependido agora lhe pede perdão, num dos mais belos trechos dessa sublime obra literária.
Cap 36 – O sonho – A.Luiz dorme, deixa o “veículo inferior” (perispírito) no leito e sonha. Vai a uma esfera mais elevada e encontra-se com a mãe. É louvado e incentivado o trabalho pelo próximo, com novos esclarecimentos sobre o bônus-hora.
Obs: Por este capítulo refletimos que se os desencarnados dormem e sonham, deixando o perispírito no leito, provavelmente será com outro corpo que se deslocam: pode ser com o corpo mental, “envoltório sutil da mente”, aludido pelo próprio A.Luiz em 1958, na p. 25, Cap II, 11ª Ed., do Livro “Evolução em Dois Mundos”, FEB, RJ/RJ.
Cap 37 – A preleção da Ministra – Observações sobre o pensamento: força essencial em todo o Universo, capaz de gerar o que se queira — bom ou mau...
Cap 38 - O caso Tobias – Reflexões sobre o(s) casamento(s) e o ciúme. Em “Nosso Lar”, duas ex-esposas de Tobias são amigas sinceras e convivem felizes.
Cap 39 – Ouvindo a senhora Laura – A.Luiz lembrava-se, atormentado por saudades, da família terrestre. Ouve, então, preciosas explicações sobre o “espírito de seqüência que rege os quadros evolutivos da vida”. É enaltecida a Bondade divina ao reunir desafetos pela consangüinidade.
Cap 40 – Quem semeia colherá – No departamento feminino das “Câmaras de Retificação” A.Luiz reencontra Elisa, que fora doméstica no seu lar terreno e da qual aproveitou-se irresponsavelmente. Ampara-a agora com extremado cuidado e bondade.
Cap 41 – Convocados à luta – Irrompe a 2ª Guerra Mundial, com repercussões negativas em “Nosso Lar”. Por essa lição ficamos sabendo como o plano terreno também influencia o espiritual, no caso, negativamente.
Cap 42 – A palavra do Governador – O medo é classificado como dos piores inimigos da criatura. Duas mil vozes entoam o hino “Sempre Contigo, Senhor Jesus”. A.Luiz vê pela primeira vez o Governador de “Nosso Lar”. O Governador esclarece aos trabalhadores de “Nosso Lar” os deveres relativos aos problemas criados pela Guerra. Informa serem necessários 30 mil servidores voluntários, desprendidos, para criar defesas especiais. Cita que em “Nosso Lar” são mais de um milhão de criaturas, que não podem ser agredidas pela invasão de milhões de espíritos desordeiros.
Cap 43 – Em conversação – Comentários sobre os horrores da Guerra. Nesse contexto, o Espiritismo sobressai como a grande esperança do Plano Espiritual, como o Consolador da humanidade.
Cap 44 – As “trevas” – As trevas são as regiões mais inferiores conhecidas em “Nosso Lar”, abaixo do próprio nível terreno. Ali, Espíritos jazem por séculos e séculos... Na verdade, encarnados ou desencarnados, Espíritos têm belas oportunidades de progresso, mas a maioria as renega.
Cap 45 – No “Campo da Música” – A.Luiz, feliz, integrado às atividades socorristas, foi conhecer o “Campo da Música”, onde se extasia ante a beleza musical do ambiente, espiritualizado: todos os Espíritos ali comentando com alegria a vida e os ensinamentos de Jesus.
Cap 46 – Sacrifício de mulher – Um ano após iniciar trabalhos A.Luiz sentia imensas saudades do lar terrestre. Sua mãe informa-lhe que breve ela reencarnará, visando amparar o ex-marido, mergulhado em problemas, perseguido por mulheres com as quais não procedeu corretamente. Essas mulheres, no futuro, reencarnarão e a mãe de A.Luiz ser-lhes-á mãe. São citadas as “reencarnações compulsórias”.
Cap 47 – A volta de Laura – A mãe de Lísias reencarnará em dois dias. Recebe fraternais despedidas dos amigos de “Nosso Lar”, A.Luiz inclusive. É citado o quanto de amparo espiritual recebem os trabalhadores de boa-vontade, principalmente em ocasiões tão importantes, como quando vão reencarnar.
Cap 48 – Culto familiar – É descrita a existência de um Globo de Cristal, com aproximadamente 2m de altura (utilizado para recepcionar Espíritos encarnados, nessa singular e “invertida” forma de reuniões mediúnicas no Plano Espiritual).
Cap 49 – Regressando à casa – A.Luiz visita, finalmente, o lar terrestre. Ali, encontra tudo diferente... a ex-esposa novamente casada e seu atual marido gravemente enfermo, além de estar assediado por Espíritos infelizes. A.Luiz sente-se roubado... Só uma de suas filhas sintonizou espiritualmente com ele. Mas, os ensinamentos auferidos em “Nosso Lar”, falam mais alto e o Amor explode em seu coração...
Cap 50 – “Cidadão de Nosso Lar” - Pondo em prática tudo o que aprendera sobre o amor ao próximo A.Luiz socorre o enfermo. Auxiliado por Narcisa e por “servidores comuns do reino vegetal”.
Obs: “Espíritos da Natureza”: seriam esses Espíritos aqui citados, com ação sobre a Natureza, os mesmos citados por Allan Kardec nas questões 536 a 540 do “O Livro dos Espíritos”?
De volta ao “Nosso Lar”, feliz pela vitória do bem em si mesmo, A.Luiz é recepcionado festivamente com a honrosa declaração de que passou a ser “Cidadão de Nosso Lar”.
Extraído de: http://www.institutoandreluiz.org/sinopse