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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


quinta-feira, 30 de maio de 2013

DESPRENDIMENTO E EXTERIORIZAÇÃO


O fenômeno chamado de telepatia na Terra não é outra coisa senão o método de comunicação entre todos os seres pensantes da vida superior, e a prece é uma de suas formas mais poderosas, uma de suas aplicações mais altas e mais puras. A telepatia é a manifestação de uma lei universal e eterna.
Todos os seres, todos os corpos, trocam vibrações. Os astros influenciam através das imensidades siderais; da mesma forma, as almas, que são sistemas de forças e focos de pensamentos, impressionam-se reciprocamente e podem se comunicar a todas as distâncias. A atração estende-se às almas, assim como aos astros; ela os atrai para um centro comum, centro eterno e divino. Uma dupla relação se estabelece: suas aspirações sobem para ele sob a forma de apelos e de preces; o socorro desce sob a forma de graças e de inspirações.
Tudo isso nos demonstra que a alma pode ser impressionada por outros meios diferentes dos órgãos, pode recolher conhecimentos que ultrapassam o alcance das coisas terrestres e nascem de uma causa espiritual. É graças a esses clarões, a esses
relâmpagos, que ela entrevê na vibração universal o passado e o futuro, que percebe a gênese das formas, formas de arte e de pensamento, de beleza e de santidade, das quais derivam perpetuamente novas formas, em uma variedade inesgotável como
a fonte de onde se originam.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR

LÉON DENIS


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quarta-feira, 29 de maio de 2013

AUTO-DESCOBRIMENTO II


Certamente, não vem prematuramente o triunfo, nem se torna necessário. Há ocasião para semear, empreender, e momento outro para colher, ter resposta. O que se não deve temer é o atraso dos resultados, perder o estímulo porque os frutos não se apresentam ou ainda não trazem o agradável sabor esperado. Repetir o tentame com a lógica dos bons efei­tos, conservar o entusiasmo, são meios eficazes para identifi­car as próprias possibilidades, sempre maiores quanto mais aplicadas.
Ao lado do recurso da confiança no êxito, aprofunda-se o sentimento de amor, de interesse humano, de participação no grupo social, com resultado em forma de respeito por si mes­mo, de afeição à própria pessoa como ser importante que é no conjunto geral.
A causa dos desatinos que aturdem a so­ciedade é causada pela dificuldade do discernimento em torno dos valo­res humanos. O questionamento a respeito do que é essencial e do que é secundário inverteu a ordem das aspirações, con­fundindo os sentimentos e transformando a busca das sensa­ções em realização fundamental, relegando-se a plano inferi­or as expressões da emoção elevada, na qual, o belo, o ético, o nobre se expressam em forma de amor, que não embrutece nem violenta.
A experiência do amor é essencial ao autodescobrimento, pois que, somente através dele se rompem as couraças do ego, do primitivismo, predominante ainda em a natureza hu­mana. O amor se expande como força co-criadora, estimu­lando todas as expressões e formas de vida. Possuidor de vi­talidade, multiplica-a naquele que o desenvolve quanto na pessoa a quem se dirige. Energia viva, pulsante, é o próprio hálito da Vida a sustentá-la. A sua aquisição exige um bem direcionado esforço que deflui de uma ação mental equili­brada.
Amar torna-se um hábito edificante, que leva à renúncia sem frustração, ao respeito sem submissão humilhante, à com­preensão dinâmica, por revelar-se uma experiência de alta magnitude, sempre melhor para quem o exterioriza e dele se nutre.
Na realização do cometimento afetivo surge o desafio da verdade, que é a meta seguinte.
Ninguém deterá a verdade, nem a terá absoluta. Não nos referimos somente à verdade dos fatos que a ciência compro­va, mas àquela que os torne verazes: verdade como veracida­de, que depende do grau de amadurecimento da pessoa e da sua coragem para assumi-la.
Quando se trata de uma verdade científica, ela depende, para ser aceita, da honestidade de quem a apresenta, dos seus valores morais. Indispensável, para tanto, a probidade de quem a revela, não sendo apenas fruto da cultura ou do intelecto, porém, de uma alta sensibilidade para percebê-la. Defronta­mo-la em pessoas humildes culturalmente, mas probas, es­casseando em indivíduos letrados, porém hábeis na arte de sofismar.
A verdade faculta ao homem o valor de recomeçar inú­meras vezes a experiência equivocada até acertá-la.
Erra-se tanto por ignorância como pela rebeldia. Na igno­rância, mesmo assim, há sempre uma intuição do que é ver­dadeiro, face à presença íntima de Deus no homem. A rebel­dia gera a má fé, o que levou Nietzsche a afirmar com certo azedume: “Errar é covardia!”, face à opção cômoda de quem elege o agradável do momento, sem o esforço da coragem para lutar pelo que é certo e verdadeiro.
A aquisição da verdade amadurece o homem, que a elege e habitua-se à sua força libertadora, pois que, somente há li­berdade real, se esta decorre daquela que o torna humilde e forte, aberto a novas conquistas e a níveis superiores de en­tendimento.


Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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terça-feira, 28 de maio de 2013

AUTO-DESCOBRIMENTO I


O homem, realmente não se conhece. Identifica e perse­gue metas exteriores. Camufla os sentimentos enquanto se esfalfa na realização pessoal, sem uma correspondente iden­tificação íntima.
A experiência, em qualquer caso, é um meio propiciador para o autoconhecimento, em razão das descobertas que en­seja àquele que tem a mente aberta aos valores morais, inter­nos. Ela demonstra a pouca significação de muitas conquis­tas materiais, econômicas e sociais diante da inexorabilidade da morte, da injunção das enfermidades, especialmente as de natureza irreversível, dos golpes afetivos, por defrontar-se desestruturado, sem as resistências necessárias para suportar as vicissitudes que a todos surpreendem.
O homem possui admiráveis recursos interiores não ex­plorados, que lhe dormem em potencial, aguardando o de­senvolvimento. A sua conquista faculta-lhe o autodescobri­mento, o encontro com a sua realidade legítima e, por efeito, com as suas aspirações reais, aquelas que se convertem em suporte de resistência para a vida, equipando-o com os bens inesgotáveis do espírito.
Necessário recorrer a alguns valores éticos morais, a co­ragem para decifrar-se, a confiança no êxito, o amor como manifestação elevada, a verdade que está acima dos capri­chos seitistas e grupais, que o pode acalmar sem o acomodar, tranqüilizá-lo sem o desmotivar para a continuação das bus­cas.
Conseguida a primeira meta, uma nova se lhe apresenta, e continuamente, por considerar-se o infinito da sabedoria e da Vida.
É do agrado de algumas personalidades neuróticas, fugi­rem de si mesmas, ignorarem-se ou não saberem dos acon­tecimentos, a fim de não sofrerem. Ledo engano! A fuga atur­de, a ignorância amedronta, o desconhecido produz ansieda­de, sendo, todos estes, estados de sofrimento.
O parto produz dor, e recompensa com bem-estar, ense­jando vida.
O autodescobrimento é também um processo de parto, impondo a coragem para o acontecimento que libera.
Examinar as possibilidades com decisão e enfrentá-las sem mecanismos desculpistas ou de escape, constitui o passo ini­cial.
A verdade é o encontro com o fato que deve ser digerido, de modo a retificar o processo, quando danoso, ou prosseguir vitalizando-o, para que se o amplie a benefício geral.
Ignorando-se, o homem se mantém inseguro. Evitando aceitar a sua origem tomba no fracasso, na desdita.
Ademais, a origem do homem é de procedência divina. Remontar aos pródromos da sua razão com serena decisão de descobrir-se, deve ser-lhe um fator de estímulo ao tentame. O reforço de coragem para levantar-se, quando caía, o ânimo de prosseguir, se surgem conspirações emocionais que o inti­midam, fazem parte de seu programa de enriquecimento in­terior.
O auto-encontro enseja satisfações estimuladoras, saudá­veis. Esse esforço deve ser acompanhado pela inevitável con­fiança no êxito, porqüanto é ambição natural do ser pensante investir para ganhar, esforçar-se para colher resultados bons.

(continua)

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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segunda-feira, 27 de maio de 2013

SERIA INTERESSANTE TER O FUTURO REVELADO?


Vivendo aqui na Terra, no atual estado evolutivo em que nos encontramos, não é nada fácil administrar o presente, com toda a sua complexidade, imaginamos ter ainda o acréscimo de revelações do que nos ocorrerá nos dias do futuro? Por certo, seria uma sobrecarga de emoções, expectativas e ansiedades que pesariam sobre os nossos ombros, com sérias e preocupantes conseqüências para a nossa vida mental.
                Por isso as sábias e prudentes leis divinas nos posicionam com os limites da vida presente, permitindo, somente em casos raríssimos, que o véu do futuro seja levantado.
                Tendo essa consciência, será inútil ou mesmo pouco proveitosa qualquer tentativa de vislumbrarmos o que nos espera no porvir, mais sensato e lógico é viver bem cada oportunidade que Deus nos concede hoje. Assim, desaconselhável será procurar por quem possa nos informar sobre o amanhã. Primeiro, pela inutilidade dessas possíveis informações, segundo, pelo risco que se corre de ser enganado por criaturas desprovidas de honestidade ou mesmo por ignorância.
                E temos tanto o  que fazer no presente, em busca do atendimento aos nossos deveres e compromisso da reencarnação em curso, que se realmente aproveitarmos o manancial de recursos que a Providência Divina disponibiliza em nosso favor, não restará tempo para divagações ou procura por aquilo que se realizará em outras oportunidades.
                Sabemos, com plena clareza, mediante as abundantes informações que nos são passadas pelos espíritos benfeitores, que colhemos hoje os frutos das sementes que plantamos ontem, e, isso nos leva a concluir com certeza, que ceifaremos amanhã, de acordo com a semeadura de hoje. Assim, vivendo no bem e cultivando sempre o bem não teremos qualquer dúvida de que o futuro será bom.
                Melhor, então, e bem mais racional, que cuidemos devidamente do presente, dando atenções e declinando responsabilidades com os nossos deveres de agora, que não são poucos.
                Se conhecêssemos o futuro por certo negligenciaríamos o presente, e, com prejuízos incalculáveis, não teríamos a mesma liberdade e iniciativa de agora, pois que seríamos dominados pelas emoções do que iria ou não acontecer.
                Nada sabendo sobre os dias do futuro seguimos a nossa vida no presente dentro da normalidade, empreendendo esforços e laborando firmemente em busca do nosso crescimento espiritual.
                Melhor será, então, que utilizemos o nosso tempo e o nosso desejo de saber o que nos está reservado para o tempo que ainda não chegou, em atividades e realizações no momento, executando o programa de  trabalho e aprimoramento que traçamos.
                Estudemos mais, trabalhemos mais, sirvamos mais, amemos mais.
                Ao nosso redor pululam oportunidades para ajudarmos a construir um mundo melhor, partindo da melhoria de nós mesmos.
                E, se não é conveniente que tenhamos o nosso futuro revelado, será conveniente que nos ocupemos no presente, com total interesse e dedicação ao próximo, dessa forma contribuindo, decididamente, para que o futuro de todos, seja no momento certo, uma realização plena de serenidade e paz.
                A vida de hoje tem sua base no passado. E da forma que conduzirmos a nossa existência agora, estaremos projetando o futuro. Vivamos, então, de tal maneira, dentro dos preceitos evangélicos, que mesmo sem ter o nosso futuro revelado, saibamos, pela lei de causa e efeito, ação e reação, que ele será repleto de alegrias e infindáveis realizações.
                Reflitamos...

Waldenir Cuin

Fonte: Jornal do Espiritismo Estudado – julho/2012

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domingo, 26 de maio de 2013

MECANISMOS DE FUGA DO EGO V

Racionalização

A racionalização é o mecanismo de fuga de mai­or gravidade do ego, por buscar justificar o erro me­diante aparentes motivos justos, que degeneram o senso crítico, de integridade moral, assumindo pos­turas equivocadas e perniciosas. Sempre há uma ra­zão para creditar-se favoravelmente os atos, mesmo os mais irrefletidos e graves, através das razões apre­sentadas, que não são legítimas. Essa dicotomia — o que se justifica e o que se é — torna-se um mecanismo perturbador, por negar-se o real a favor do que se imagina.
As razões legítimas dos hábitos e condutas são mascaradas por alegações falsas. Por não admitir o que se prefere fazer ou ser, e se tem em conta de que é errado, assume-se a máscara egóica da racionaliza­ção.
Essa falta de honestidade, como expressão falsa do eu, torna-se um desequilíbrio psicológico, que ter­mina em perda de sentido existencial.
Ninguém pode mudar um mal em bem, apenas porque se recusa a aceitar conscientemente esse mal, que lhe cumpre trabalhar para melhor, ao invés de ig­norá-lo ou justificá-lo com a racionalização.
A tendência humana da escolha é sempre direcio­nada para o bem. Assim, há uma repulsa natural pelo mal, de que a racionalização tenta alterar a contextu­ra, a fim de apaziguar a consciência, gerando a per­turbação psicológica.
Essa luta, que se trava entre o intelecto e a ra­zão, busca justificativa para tornar o mal em um bem, que é irreal. Desse modo, quando a pessoa age erradamente e a razão lhe reprocha, o intelecto busca uma alegação justa para reprimir o bem e prossegui na ação.
A execução supera a razão e a mente justifica o mal, do qual surgirá um bem, para si ou para outrem, como racionaliza o ego em desequilíbrio.
Somente uma vontade severa e nobre, exercendo sua força sobre os mecanismos de evasão, para pre­servar o equilíbrio entre a razão e o intelecto com a emoção do bem e do justo, propondo o ajustamento psicológico do ser.
Fora disso, tais mecanismos de camuflagem da realidade conduzem à alienação, ao sofrimento.

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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sexta-feira, 24 de maio de 2013

MECANISMOS DE FUGA DO EGO IV

Introjeção

Outro mecanismo de disfarçe do ego é a introje­ção, que se caracteriza como a conscientizaçào de que as qualidades das pessoas lhe pertencem. Os valo­res relevantes que são observados noutrem, são tra­ços do próprio caráter, constituindo uma armadilha —defesa do ego.
A pessoa introjeta-se na vida dos heróis aos quais ama e com quem se identifica, aceitando ser pareci­da com eles. Assume-lhes a forma, os hábitos, os tra­quejos e trejeitos, o modo de falar e de comportar-se...
Pode acontecer também que se adote o com­portamento infeliz de personagens dos dramas do co­tidiano, das películas cinematográficas, das teleno­velas, das tragédias narradas pelos periódicos.
Na atualidade, ao lado dos inúmeros vícios soci­ais e dependências dos alcoólicos, tabaco e drogas outras, há, também, a dependência das telenovelas, mediante as quais as personagens, especialmente as infelizes, são introjetadas nos telespectadores angus­tiados.
Essa morbidez deve ser liberada e o indivíduo tem a necessidade, que lhe cumpre atender, de assumir a realidade interior, identificando-se numa harmoniosa combinação entre o self e o ego, mantendo o equilí­brio emocional através do exercício de autodescobri­mento, eliminando as ilusões, os romances imaginá­rios, pois que tais mecanismos de fuga, não obstante o momentâneo prazer que dispensam, terminam por alienar o ser.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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quinta-feira, 23 de maio de 2013

MECANISMOS DE FUGA DO EGO III

Projeção
       
        A repressão inconsciente dos conflitos da perso­nalidade leva o ego a projetá-los nos outros indivídu­os, nas circunstâncias e lugares, evadindo-se à acei­tação dos erros e da responsabilidade por eles.
Se tropeça em uma pedra na rua, a culpa é da administração pública municipal; se choca com ou­trem, a culpa é dele...
A projeção alcança reações surpreendentes.
Um jovem esbarrou noutro na rua e reagiu, inter­rogando: Você é cego?”, ao que o interlocutor res­pondeu: Sim, sou cego.”
Atropelara o invidente e se permitia o luxo de fa­zer-se vítima.
Há uma natural e mórbida tendência no ser hu­mano de ignorar certas deficiências pessoais para projetá-las nos outros.
Toda vez que alguém combate com exagerada veemência determinados traços do caráter de al­guém, projeta-se nele, transferindo do eu, que o ego não deseja reconhecer como deficiente, a qualidade negativa que lhe é peculiar. Torna a sua vítima o es­pelho no qual se reflete inconscientemente.
Há uma necessidade de combater nos outros o que é desagradável em si.
Pessoas existem que se dizem perturbadas pe­las demais, perseguidas onde se encontram, desgos­tadas em toda parte, revelando caráter e comporta­mento paranóicos, assim projetando a animosidade que mantêm por si próprias nos outros indivíduos, sob a alegação de que não os estimam, e tentam interdi­tar-lhes o passo, o avanço.
A projeção é facilmente identificável e pode ser combatida mediante honesta aceitação de si mesmo, de como se é, trabalhando-se para tornar-se melhor.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

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quarta-feira, 22 de maio de 2013

MECANISMOS DE FUGA DO EGO II


Deslocamento

A consciência exerce sobre a pessoa um critério de censura, face ao discernimento em torno do que conhece e experiencia, sabendo como e quando se pode fazer algo, de maneira que evite culpa. Nesse discernimento lúcido, quando surge um impulso que a censura da consciência proibe apresentar-se sem reservas, o ego produz um deslocamento.
Freud havia identificado essa capacidade de cen­sura da consciência, que situou como superego.
Quando se experimenta um sentimento de revol­ta ou de animosidade contra alguém ou alguma coi­sa, mas que as circunstâncias não permitem expres­sar, o ego desloca-o para reações de violência contra objetos que são quebrados ou outras pessoas não envolvidas na problemática.
Na antiga arena romana ou nos atuais ringues de boxe se traduzem esses sentimentos recalcados, con­tra a vítima momentânea, deslocando a fúria oculta, que se mantém contra outrem, nesse ser desamparado.
Subconscientemente, a pessoa que apóia o do­minador e pede-lhe para extinguir o contendor, man­tém hostilidade que reprime, impossibilitada pelas con­venções sociais ou circunstanciais de exteriorizá-la.
A hostilidade da criatura leva-a a reagir sempre através de motivos reais ou imaginários. Um olhar, uma palavra malposta, uma expressão destituída de mais profundo significado, são suficientes para pro­vocar um deslocamento, uma atitude agressiva.
Face a essa postura, há uma tendência para ca­muflar os significados perturbadores da vida.
Ao re­primi-los, adota-se um comportamento agradável para o ego. Esse mecanismo é de fácil identificação, pois que o ego procura uma vivência de qualquer acontecimento sem sentido, para ocultar um grave problema que não deseja enfrentar conscientemente.
Essa reação pode decorrer, também, de um am­biente hostil no lar, onde a pessoa se acostumou a deslocar os sentimentos que cultivou, na convivência doméstica, e não deseja reconhecer como de nature­za agressiva.
Somente uma atitude de auto-reflexão consegue despertar o indivíduo para a aceitação consciente do seu self, sem disfarce do ego, não deslocando rea­ções para outrem e lutando contra as perturbações psicológicas.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis

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terça-feira, 21 de maio de 2013

MECANISMOS DE FUGA DO EGO I


Habituado ao não enfrentamento com o self, o ego camufla a sua resistência à aceitação da realidade profunda, elaborando mecanismos escapistas, de forma a preservar o seu domínio na pessoa.
Desse modo, podemos enumerar alguns desses instrumentos do ego, para ocultar-lhe a realidade, fa­cultando-lhe a fuga do enfrentamento com o eu pro­fundo, tais como: compensação, deslocamento, proje­ção, introjeção e racionalização.

Compensação

Foi o admirável pai da Psicanálise individual, Al­fred Adler, quem, percebendo que um órgão defici­tário é substituído pelo seu par — um pulmão enfermo ou um rim doente —, estabeleceu que ocorre uma com­pensação correspondente na área psicológica.
Grandes ases da cultura física tornaram-se atle­tas, porque buscaram compensar a fragilidade orgâ­nica, ou algum limite, entregando-se a extenuantes exercícios que lhes facultaram alcançar as metas es­tabelecidas. O mesmo ocorre nas artes, na ciência com muitos dos seus paladinos.
Essa compensação se enraíza nos fulcros de al­gum conflito, nos leva a exagerar determinada ten­dência como fenômeno inconsciente que nos demons­tra o contrário.
O excesso de devotamento a uma causa ou idéia é a compensação ao medo inconsciente de sustentá-lo.
O fanatismo resulta da insegurança interior, não consciente, pela legitimidade daquilo em que se pen­sa acreditar, desse modo compensando-se.
Há sempre um exagero, um superdesenvolvimen­to compensador, quando, de forma inconsciente se estabelece um conflito, por adoção de uma crença em algo sem convicção.
O excesso de pudor, a exigência de pureza, pro­vavelmente são compensações por exorbitantes de­sejos sexuais reprimidos e anelos de gozos promíscu­os, vigentes no ser profundo.
Sem dúvida, não se aplica à generalidade das pes­soas corretas e pudicas, mas àquelas que se caracte­rizam pelo excesso, pela ênfase predominante que dão a essas manifestações naturais.
Na compensação ocorre a formação de reação, que responde pela necessidade de um efeito psicológico contrário.
Desse modo, as atitudes exageradas em qualquer área camuflam desejos inconscientes opostos.
Nessa compensação psicológica, o ego exarcer­bado está sempre correto e, sem piedade pela fragi­lidade humana, exprime-se dominador, superior aos demais, que não raro persegue com inclemência.
Na distorcida visão egóica, a sua é sempre a pos­tura certa, por isso exagera para sentir-se aliviado da tensão decorrente da incoerência entre o ego presun­çoso e o eu debilitado.
A compensação substituta — uma deficiência or­gânica propele o indivíduo a destacar-se noutra área da saúde, sobrepondo a conquista de realce ao fator de limite — também transfere-se para o campo emo­cional, e o conflito de ordem psicológica cede lugar ao desenvolvimento de uma outra faculdade ou ex­pressão que se pode destacar, anulando, ou melhor dizendo, escamoteando o ocasional fenômeno pertur­bador.
Graças a compensação substituta o ego se pleni­fica, embora tentando ignorar o desequilíbrio que fica sob compressão, reprimido. Todavia, todo conflito não liberado retorna e, se recalcado, termina por aflorar com força, gerando distúrbios mais graves.
A compensação egóíca é, sem dúvida, um engodo que deve ser elucidado e vencido.
Cada criatura é o que consegue e, como tal, cum­pre apresentar-se, aceitar-se, ser aceito, trabalhan­do pelo crescimento interior mediante catarse, cons­ciente dos conflitos degenerativos.
Todo esse mecanismo de evasão da realidade e mascaramento do ego torna a pessoa inautêntica, artificial, desagradável pelo irradiar de energias re­pelentes que causam mal-estar nas demais.

(continua)

O SER CONSCIENTE - Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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segunda-feira, 20 de maio de 2013

AGRESSIVIDADE


A agressividade infeliz é doença passageira, embora os grandes danos que produz, cedendo lugar à pacificação.
            Torna dócil a tua voz, nestes turbulentos dias de algazarra, e gentis os teus gestos ante os tumultos e choques pessoais.
            Com sua sabedoria impar, Jesus assinalou:

            Bem –aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra (MT 5:5).

Suavemente permite que a mansidão domine os territórios das tuas emoções, substituindo esses infelizes mecanismos da inferioridade moral pelos abençoados valores da verdade.

Do livro: Entrega-te a Deus
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis


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domingo, 19 de maio de 2013

CONQUISTAR E CONQUISTAR-SE

Emmanuel
Muitos conquistam o ouro da Terra e adquirem a miséria espiritual.
Muitos conquistam a beleza corpórea e acabam no envilecimento da alma.
Muitos conquistam o poder humano e perdem a paz de si mesmos.
Necessário que o espírito se acrisole na experiência e na luta, valendo-se delas para modelar o caráter, senhoreando a própria vida.
Para possuirmos algo com acerto e segurança, é indispensável não sejamos possuídos pelas forças deprimentes que nos inclinam sentimento e raciocínio aos
desequilíbrios da sombra.
Indubitavelmente, todos podemos usufruir os patrimônios terrestres, nesse ou
naquele setor do cotidiano, mas é preciso caminhar com sabedoria para que o abuso não nos infelicite a existência.
É por isso que sofrimento e dificuldade, obstáculo e provação constituem para nós preciosos recursos de superação e engrandecimento.
Todos os valores externos concedidos à personalidade, em trânsito no mundo, são posses precárias que a enfermidade e a morte arrancam de improviso, mas todos os valores que entesouramos no próprio ser representam posses eternas que brilharão conosco, aqui e além, hoje e amanhã...
Na esfera espiritual, cada criatura é aproveitada na posição em que se coloca e somente aqueles que conquistaram a si mesmos, nos reiterados labores da educação, através do suor ou da lágrima, do trabalho ou da renúncia, são capazes de cooperar na extensão do amor e da luz, cujo crescimento na Terra exige, invariavelmente, o coração e o cérebro, as ações e as atitudes daqueles que aprenderam na lei do próprio sacrifício a conquista da vida imperecível.
Reflete naquilo que te falam, antes de te entregares psicologicamente ao que se
te diga...

Fonte: Irmão – Chico Xavier/Espíritos Diversos

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sábado, 18 de maio de 2013

COM AMOR


"E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vinculo da perfeição." Paulo. (COLOSSENSES, 3:14.) 

Todo discípulo do Evangelho precisará coragem para atacar os serviços da redenção de si mesmo.
Nenhum dispensará as armaduras da fé, a fim de marchar com desassombro sob tempestades.
O caminho de resgate e elevação permanece cheio de espinhos.
O trabalho constituir-se-á de lutas, de sofrimentos, de sacrifícios, de suor, de testemunhos.
Toda a preparação é necessária, no capitulo da resistência; entretanto, sobre tudo isto é indispensável revestir-se nossa alma de caridade, que é amor sublime.
A nobreza de caráter, a confiança, a benevolência, a fé, a ciência, a penetração, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o amor é o tear divino que os entrelaçará, tecendo a túnica da perfeição espiritual.
A disciplina e a educação, a escola e a cultura, o esforço e a obra, são flores e frutos na árvore da vida, todavia, o amor é a raiz eterna.
Mas, como amaremos no serviço diário?
Renovemo-nos no espírito do Senhor e compreendamos os nossos semelhantes.
Auxiliemos em silêncio, entendendo a situação de cada um, temperando a bondade com a energia, e a fraternidade com a justiça.
Ouçamos a sugestão do amor, a cada passo, na senda evolutiva.
Quem ama, compreende; e quem compreende, trabalha pelo mundo melhor.

Fonte: Vinha de Luz – Chico Xavier/Emmanuel


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sexta-feira, 17 de maio de 2013

O TEMPO


“Aquele que faz caso do dia, patrão Senhor o faz.” — Paulo.
(ROMANOS, capítulo 14, versículo 6.)

A maioria dos homens não percebe ainda os valores infinitos do tempo.
Existem efetivamente os que abusam dessa concessão divina. Julgam que a riqueza dos benefícios lhes é devida por Deus.
Seria justo, entretanto, interrogá-los quanto ao motivo de semelhante presunção.
Constituindo a Criação Universal patrimônio comum, é razoável que todos gozem as possibilidades da vida; contudo, de modo geral, a criatura não medita na harmonia das circunstâncias que se ajustam na Terra, em favor de seu aperfeiçoamento espiritual.
É lógico que todo homem conte com o tempo, mas, se esse tempo estiver sem luz, sem equilíbrio, sem saúde, sem trabalho?
Não obstante a oportunidade da indagação, importa considerar que muito raros são aqueles que valorizam o dia, multiplicando-se em toda parte as fileiras dos que procuram aniquilá-lo de qualquer forma.
A velha expressão popular “matar o tempo” reflete a inconsciência vulgar, nesse sentido.
Nos mais obscuros recantos da Terra, há criaturas exterminando possibilidades sagradas. No entanto, um dia de paz, harmonia e iluminação, é muito importante para o concurso humano, na execução das leis divinas.
Os interesses imediatistas do mundo clamam que o “tempo é dinheiro”, para, em seguida, recomeçarem todas as obras incompletas na esteira das reencarnações... Os homens, por isso mesmo, fazem e desfazem, constroem e destroem, aprendem levianamente e recapitulam com dificuldade, na conquista da experiência.
Em quase todos os setores de evolução terrestre, vemos o abuso da oportunidade complicando os caminhos da vida; entretanto, desde muitos séculos, o apóstolo nos afirma que o tempo deve ser do Senhor.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL


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quinta-feira, 16 de maio de 2013

EVOLUÇÃO DA ALMA ANIMAL


A evolução dos animais ocorre sempre na mesma raça ou pode mudar?
            As palavras sempre e nunca dão uma ideia de eternidade. Se algo ocorre dentro destes conceitos, então não ocorrerá evolução alguma. Se fosse sempre, ou eternamente, na mesma raça ou na mesma espécie não haveria evolução se não pudessem estagiar e aprender em outros corpos e em outras raças, eles nada aprenderão além do que poderiam aprender naquela raça ou espécie onde estão. Ficariam estagnados, como se estivessem condenados a uma vida sem evolução. Isso não acontece, pois como é dito pelo Espírito de Verdade: “Tudo na natureza se encadeia e tende á unidade”, isto é, tudo evolui e se dirige a Deus.
            Por isso eles podem reencarnar em uma mesma raça ou espécie até atingirem o grau de aprendizado de que necessitavam, mas depois que aprenderam e assimilaram as lições da vida daquele estágio evolutivo, eles, os animais, passam para outras espécies ou raças e depois do aprendizado nesta ou outra fase seguinte, alcançarão outra e outra e assim por diante. O princípio inteligente teve começo, pois foi criado em algum momento, mas não terá fim. Depois de passarem por todas as espécies e adquirirem todo o aprendizado de que seu espírito necessita, então entram para a fase de humanidade, na qual continuaremos a evoluir infinitamente.

Fonte: A Espiritualidade dos Animais – Marcel Benedeti

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quarta-feira, 15 de maio de 2013

IRRESPONSABILIDADE II


Algumas criaturas aprenderam, desde a infância, o senso dos limites com pais amadurecidos. Isso os mantém firmes e saudáveis dentro de si mesmas. Outras, porém, não. Quando atingiram a fase adulta, não sabiam como distinguir quais são e quais não são suas responsabilidades. Muitas construíram muros de isolamento que as separaram do crescimento e da realização interior, ou ainda paredes com enormes cavidades que as tornaram suscetíveis a uma confusão de suas emoções com as de outras pessoas.
                Limites são o portal dos bons relacionamentos. Tem como objetivo nos tornar firmes e conscientes de nós mesmos, a fim de sermos capazes de nos aproximar dos outros sem sufocá-los ou desrespeitá-los. Visam também evitar que sejamos constrangidos a não confiar em nós mesmos.
                Ser responsável implica ter a determinação para responder pelas conseqüências das atitudes adotadas.
                Ser responsável é assumir as experiências pessoais, para atingir uma real compreensão dos acertos e dos desenganos.
                Ser responsável é decidir por si mesmo para onde ir e descobrir a razão do próprio querer.
                Não existem vítimas da fatalidade; nós é que somos os promotores do nosso destino. Somos a causa dos efeitos que ocorrem em nossa existência.
                Aceitar o princípio da responsabilidade individual e estabelecer limites descomplica nossa vida, tornando-nos cada vez mais conscientes de tudo o que acontece ao nosso derredor.
                Escolhendo com responsabilidade e sabedoria, poderemos transmutar, sem exceção, as amarguras em que vivemos na atualidade. A auto-responsabilidade nos proporcionará a dádiva de reconhecer que qualquer mudança de rota no itinerário de nossa “viagem cósmica” dependerá, invariavelmente, de nós.

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed            

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terça-feira, 14 de maio de 2013

IRRESPONSABILIDADE I


Os acontecimentos exteriores de nossa vida são o resultado direto de nossas atitudes internas. A princípio, podemos relutar para assimilar e entender esse conceito, porque é melhor continuarmos a acreditar que somos vítimas indefesas de forças que não estão sob o nosso controle. Efetivamente, somos nós mesmos que fazemos os nossos caminhos e depois os denominamos de fatalidade.
                Haverá fatalidade nos acontecimentos da vida, conforme ao sentido que se dá a este vocábulo? São pré-determinados? E, neste caso, que vem a ser do livre-arbítrio?, pergunta Kardec aos Semeadores da Nova Revelação. E eles respondem: “A fatalidade existe unicamente pela escolha que o espírito fez, ao encarnar. Escolhendo-a, instituiu para si uma espécie de destino.
                É inevitável para todos nós o fato de que vivemos, invariavelmente, escolhendo. A condição primordial do livre-arbítrio é a escolha e, para que possamos viver, torna-se indispensável escolher sempre. Nossa existência se faz através de um processo interminável de escolhas sucessivas.
                Eis aqui um fato incontestável da vida: o amadurecimento do ser humano inicia-se quando cessam suas acusações ao mundo.
                Entretanto, há indivíduos que se julgam perseguidos por um destino cruel e censuram tudo e todos, menos eles mesmos. Recusam, sistematicamente, a responsabilidade por suas desventuras, atribuindo a culpa às circunstâncias e às pessoas, bem como não reconhecem a conexão existente entre os fatos exteriores e seu comportamento mental. No íntimo, essas pessoas não definiram limites em seu mundo interior e vivem num verdadeiro emaranhado de energias desconexas. Os limites nascem das nossas decisões profundas sobre o que acreditamos ser nossos direitos pessoais.
                Nossas demarcações estabelecem nosso próprio território, cercam nossas forças vitais e determinam as linhas divisórias de nosso ser individual. Há um espaço delimitado onde nós terminamos e outros começam.

Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed         


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segunda-feira, 13 de maio de 2013

A ALMA E OS DIFERENTES ESTADOS DO SONO


O sono possui não apenas propriedades restauradoras , mas também um poder de coordenação e de centralização sobre o organismo material. Pode, além disso, como acabamos de ver, provocar uma extensão considerável das percepções psíquicas, uma maior intensidade do raciocínio e da memória.
O que é então o sono? É simplesmente o desprendimento da alma, sua saída do corpo. Diz-se: o sono é o prenúncio* da morte. Essas palavras exprimem uma verdade profunda. Seqüestrada da carne no estado de vigília, a alma recupera no sono sua liberdade relativa, temporária e ao mesmo tempo o uso de seus poderes ocultos.
A morte será sua libertação completa, definitiva. Já nos sonhos e nas ilusões vemos entrar em ação os sentidos da alma, esses sentidos psíquicos, que no corpo são a manifestação externa e amortecida. À medida que as percepções externas se enfraquecem e se apagam, quando os olhos estão fechados e os ouvidos suspensos, outros meios mais poderosos despertam nas profundezas do ser. Vemos e ouvimos com a ajuda dos sentidos internos.
Imagens, formas, cenas afastadas se sucedem e se desenrolam; são estabelecidas conversas com personagens vivos ou falecidos.
Às vezes a alma se afasta durante o repouso do corpo e são as impressões de suas viagens, os resultados de suas pesquisas e de suas observações que se traduzem pelo sonho. Nesse estado, um laço fluídico ainda a liga ao organismo material e, por meio desse laço sutil, uma espécie de fio condutor, as impressões e as vontades da alma podem ser transmitidas ao cérebro.
Voltemos ao sono comum e ao sonho. Enquanto o desprendimento da alma estiver incompleto, as sensações, as preocupações da vigília, as lembranças do passado misturam-se com as impressões da noite. As percepções registradas pelo cérebro se desenrolam automaticamente, numa desordem aparente, quando a atenção da alma está desviada do corpo e não mais regula as vibrações cerebrais; daí a incoerência da maior parte dos sonhos. Mas, à medida que a alma se liberta e se eleva, a ação dos sentidos psíquicos torna-se predominante e os sonhos adquirem uma lucidez, uma nitidez notáveis. Clareiras cada vez mais largas, vastas perspectivas abrem-se sobre o mundo espiritual, verdadeiro domínio da alma e lugar do seu destino. Nesse estado, ela pode penetrar as coisas ocultas e até mesmo os pensamentos e os sentimentos de outros espíritos.
Pertencemos a dois plano diferentes:um está em relação com o tempo e o espaço, como nós os concebemos em nosso meio planetário, com os sentidos do corpo: é a vida material; o outro, por meio dos sentidos profundos e das faculdades da alma, liga-nos ao universo espiritual e aos mundos infinitos. No decorrer de nossa existência terrestre, é sobretudo no estado de sono que essas faculdades podem se exercer e que os poderes da alma podem entrar em vibração. A alma mais uma vez se põe em contato com esse universo invisível que é sua pátria e do qual estava separada pela carne; ela se retempera no seio das energias eternas para continuar, quando desperta, sua tarefa dolorosa e obscura.
Durante o sono, a alma pode, de acordo com as necessidades do momento, aplicar-se a reparar as perdas vitais causadas pelo trabalho cotidiano e a regenerar o organismo adormecido, dando-lhes forças tiradas do mundo cósmico, ou, quando essa ação reparadora está acabada, retomar o curso de sua vida superior, pairar sobre a natureza, exercer suas faculdades de visão a distância e penetração das coisas. Nesse estado de atividade independente, já vive antecipadamente a vida livre do espírito. Pois essa vida, que é uma continuação natural da existência planetária, espera-a após a morte, devendo a alma prepará-la não apenas com suas obras terrestres, mas também com suas ocupações, no estado de desprendimento, durante o sono. É graças aos reflexos da luz do alto que cintilam em nosso sonhos e iluminam todo o lado oculto do destino que podemos entrever as condições do ser no além.
Quanto mais a alma se afasta do corpo e penetra nas regiões etéreas, mais fraco se torna o laço que os une, tanto mais vaga a lembrança ao acordar.
A alma paira muito longe na imensidade, e o cérebro não mais registra suas sensações. Daí resulta não podermos analisar os nossos mais belos sonhos. Algumas vezes, a última das impressões sentidas no decurso dessas peregrinações noturnas permanece ao despertarmos.

Fonte: O PROBLEMA DO SER, DO DESTINO E DA DOR
LÉON DENIS

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domingo, 12 de maio de 2013

QUANDO DEUS CRIOU AS MÃES


Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação.
Em quê, afinal de contas, ela era tão especial?
O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado.
Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado.
Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse.
Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada.
Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola.
Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado.
Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra.
O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora.
Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos.
De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor.
Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade.
Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.
Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão.
Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas.
Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida.
Uma mulher. Uma mãe.

REDAÇÃO DO MOMENTO ESPÍRITA
Extraido do blog: Estudos da Doutrina Espírita
http://espirita-doutrina.blogspot.com


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sábado, 11 de maio de 2013

MITOS



Medos e ansiedades, aspirações e sofrimentos estereoti­pam-se em fórmulas e formas mitológicas que lhe refletem o estágio evolutivo, em alguns deles perfeitamente consentâ­neos com as suas conquistas contemporâneas.
As concepções indianas lendárias, as tradições templári­as dos povos orientais, recuperam as suas formulações nas tragédias gregas, excelentes repositórios dos conflitos hu­manos, que a mitologia expõe, ora com poesia, em momen­tos outros com formas grotescas de dramas cruéis.
Com pequenas variações vemos a mesma representação em outros povos e doutrinas de conteúdo infantil, que se não dão conta ou não querem encontrar o significado real da vida, a sua representação profunda, castigando aqueles que lhe de­sobedecem e preferem a idade adulta da razão, abandonando a infância.
O pensamento cartesiano, com o seu “senso prático”, deu-lhes o primeiro golpe e lentamente decretou a morte dos mitos e das crenças.
E quando já se acreditava na morte dos mitos, considerando-se as mentes adultas libera­das deles, eis que a tecnologia e a mídia criaram outros hodiernos: ­ os super-homens, os He-man, os invasores marcia­nos, os homens invisíveis, gerando personagens considera­das extraordinárias para o combate contra o mal sem trégua em nome do bem incessante.
O exacerbar do entusiasmo tornou a ficção uma realidade próxima, permitindo que os jovens modernos confundam as suas possibilidades limitadas com as remotas conquistas da fantasia.
Imitam os heróis das histórias em quadrinhos, tomam posturas semelhantes aos líderes de bilheteria, no teatro, no rádio, no cinema, na televisão e chegam a crer-se imortais físicos, corpos indestrutíveis ou recuperáveis pelos engenhos da biônica, igualmente fabricantes de seres imbatíveis.
Retorna-se, de certo modo, ao período em que os deuses desciam à Terra, humanizando-se, e os magos com habilida­des místicas resolviam quaisquer dificuldades, dando mar­gem a uma cultura superficial e vandálica de funestos resul­tados éticos.
A violência, que irrompe, desastrosa, arma os novos Ram­bos com equipamentos de vingança em nome da justiça, en­frentando as forças do mal que se apresentam numa socieda­de injusta, promovendo lutas lamentáveis, sem controle.
As experiências pessoais, resultado das conquistas éticas, cedem lugar aos modelos fabricados pela imaginação fértil, que descamba para o grotesco, fomentado o pavor, ironizan­do os valores dignos e desprezando as Instituições.
A falência do individualismo industrial, a decadência do coletivismo socialista deram lugar a novas formas de afirmação, nas quais o inconsciente projeta os seus mitos e asse­nhoreia-se da realidade, confundindo-a com a ilusão.
As virtudes apresentam-se fora de moda e a felicidade surge na condição de desprezo pelo aceito e considerado, ins­tituindo a extravagância — novo mito — como modelo de auto-realização, desde que choque e agrida o convívio social.
Na sucessão de desmandos propiciados pelos mitos con­temporâneos, toma corpo a saudade da paz — inocência re­presentativa do bem — e a experiência, demonstrando a inevi­tabilidade dos fenômenos biológicos do desgaste do cansa­ço, do envelhecimento e da morte, propicia uma revisão cul­tural com amadurecimento das vivências, induzindo o ser a uma nova busca da escala de valores realmente representati­vos das aspirações nobres da vida.
A solidão e a ansiedade que os mitos mascaram, mas não eqüacionam, rompem a couraça de indiferença do homem pela sua profunda identidade, levando-o a um amadurecimento em que o grupo social dele necessita para sobreviver, tanto quanto lhe é importante, favorecendo-o com um intercâmbio de emoções e ações plenificadoras.
Os mitos, logo mais, cederão lugar a realidades que já se apresentam, no início, como símbolos de uma nova conquis­ta desafiadora e que se incorporarão, a pouco e pouco, ao cotidiano, ensinando disciplina, controle, respeito por si mes­mo, aos outros, às autoridades, que no homem se fazem in­dispensáveis para a feliz coexistência pacífica.

Do livro: O Homem Integral – Divaldo Pereira Franco/Joanna Di Ângelis


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