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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

REFLEXÕES DE NATAL

                 Com essa reflexão a respeito do Natal, encerro este ano, rogando a Deus que todos os seguidores e aqueles que visitam esse blog possam ser abençoados em todas as suas realizações. Que possamos fazer nossas reflexões de final de ano, juntando forças e vontade para fazermos nossa reforma íntima.
                 A partir de hoje entraremos de férias e retornaremos no dia 15/01/2015.

QUANDO NASCEU JESUS?
                E, mais uma vez, o Natal... Uma grande festa, introduzida no calendário na distante Idade Média, instituída no calendário na distante Idade Média, instituída pelo Papa Júlio I, como uma forma de atrair o interesse da população para o Catolicismo, em plena Roma. Como era preciso arregimentar novos e muitos crentes, a Igreja ofereceu o Natal como uma espécie de substituição a uma festa antiga do Império Romano, que era dedicada ao deus Mitra, divindade persa que se aliou ao sol para obter calor e luz em benefício das plantas, cujo culto, no último século antes de Cristo, era um dos mais populares do Império Antigo. Portanto, não é cientificamente correta a versão de que Jesus teria nascido em 25 de dezembro. Mas, isso é o que pouco importa. Saber o dia do nascimento de Jesus na Terra é desnecessário, imprescindível é saber quando ele nasceu na nossa vida.
                No texto de Vinícius, intitulado Quando Nasceu Jesus, que está no livro Em Torno do Mestre (postado a baixo), mostra as diferentes datas do nascimento de Jesus para algumas personalidades. Dentre as respostas, destaco duas: a de Joana de Cusa, que assim se pronunciaria se fosse perguntado onde e quando nasceu Jesus: “Jesus nasceu no dia em que, amarrada ao poste do circo em Roma, eu ouvi o povo gritar: - Negue! Negue!. E o soldado com a tocha acesa dizendo: - Este teu Cristo ensinou-lhe apenas a morrer? Foi neste instante que, sentindo o fogo subir pelo meu corpo, pude com toda certeza e sinceridade dizer: - Não me ensinou só isso, Jesus ensinou-me também a amá-lo”. E, com Maria de Nazaré, se fosse questionada com a mesma pergunta, nos diria: “Jesus nasceu em Belém, sob as estrelas, que eram focos de luzes guiando os pastores e suas ovelhas ao berço de palha. Foi quando o segurei em meus braços pela primeira vez e senti se cumprir a promessa de um novo tempo através daquele Menino que Deus enviara ao mundo, para ensinar aos homens a lei do amor”.
                O Natal deve ser uma rica oportunidade de questionamento interior, precisamos parar tudo na nossa vida e perguntar: quando Jesus nasceu para nós? E se a resposta não vier rápida, é bom nos preocuparmos, pois é bem provável que, mesmo com anos e anos de conhecimento da sua doutrina de luz, o Cristo ainda não tenha nascido em nós e se faz necessário cuidarmos para que Ele nasça.
                No mundo moderno, graças aos artifícios cada vez mais criativos da indústria e do marketing. Papai Noel ficou mais famoso que Jesus. Para muitas crianças e suas famílias, o Natal é o tempo do velhinho de barbas brancas e sorriso bonachão, que presenteia quem foi bonzinho o ano inteiro e tirou boas notas na escola. Para a maior parte das famílias, o Natal é apenas tempo de presentes e de festas em chácaras alugadas, sendo comemorado com caixas e caixas de cerveja, churrasco, piscina e funk no último volume. Porém para o verdadeiro cristão, deveria esta data ser o melhor tempo de reflexão sobre o por que da vida de Jesus à Terra e qual o legado que Ele nos deixou. “Porque tive fome, e me destes de comes; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes”. Esta é a dica que o próprio Mestre nos deixou para sabermos onde ele precisa nascer: em nós. E qual a festa de aniversário que ele desejaria ter? mesa farte, bebidas, presentes? Todo Natal deveria ter três momentos distintos: o momento da Prece, in instante da Reflexão sobre os objetivos alcançados e, por fim, uma análise crítica interior, se estamos cumprindo com os compromissos assumidos por nós antes do reencarne.
                Comemorar o nascimento de Jesus é buscar nos conhecermos melhor, conformando nossa vida com a Vontade de Deus (cuidar da reforma íntima e nos tornarmos homens e mulheres de Bem, edificando dentro de nós o belo, o bem e a justiça). Nos falta consciência, falamos muito, mas ainda não sentimos a fraternidade pulsar em nosso coração. Os interesses espirituais ainda não tem vez e nem voz em nossos corações; a doce e confortadora Doutrina do Cristo, embora nos tenha sido revelada há dois mil anos, ainda não nos mudou o suficiente. Reflitamos para que a festa de Natal seja, na realidade, uma oportunidade de renovação; tempo da gente se decidir a mudar para melhor, amando, servindo e exercendo o trabalho no bem, na solidariedade e na tolerância, com muita fraternidade. Pensemos nisso, neste Natal, para que o Cristo nasça na humilde manjedoura em que devem se converter os nossos corações.

Orlando Ribeiro
Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – nov/2014

Cristo nasceu? Onde? Quando?
A salvação não está numa finalidade a que se convencionou denominar céu ou paraíso: está, sim, na perpétua renovação da vida para a frente e para o alto. Avançar, como disse São Paulo, de glória em glória, tal é, em síntese, o trabalho e o plano da redenção. Jesus é a força viva que, uma vez encarnada no homem, determina a sua constante transformação.
"O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos a sua glória como de unigênito do Pai. Mas a todos os que o receberam, aos que creem em seu nome, deu ele o direito de se tornarem filhos de Deus; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus."
A prerrogativa de unigênito do Pai, Jesus a torna extensiva a todos os que de boa vontade o receberem. E assim se opera o seu natalício no coração do pecador.
O menino que Maria enfaixou, deitando-o, em seguida, numa manjedoura, é a figura desse Jesus que é força, que é poder, que é vida e verdade, atuando no interior do homem.
Invoquemos, em abono de nossa asserção, o testemunho de algumas personagens que figuram na esfera cristã como astros de primeira grandeza.
Perguntemos a Paulo — onde e quando Jesus nasceu? Ele nos dirá: Foi na estrada de Damasco, quando eu, então intolerante e fanatizado por uma causa inglória, me vi envolvido na sua divina luz. Dali por diante — "já não sou eu mais quem vive, mas o Cristo é que vive em mim".
Indaguemos de Madalena, onde e quando nasceu Jesus. Ela nos informará: Jesus nasceu em Betânia, certa vez em que sua voz, ungida de pureza e santidade, despertou em mim a sensação de uma vida nova, com a qual, até então, jamais sonhara.
Ouçamos o depoimento de Pedro, sobre a natividade do Senhor, e ele assim se pronunciará: Jesus nasceu no átrio do paço de Pilatos, no momento em que o galo, cantando pela terceira vez, acordou minha consciência para a verdadeira vida. Daí por diante, nunca mais vacilei diante dos potentados do século, quando me era dado defender a Justiça e proclamar a verdade, pois a força e o poder do Cristo constituíram elementos integrantes de meu próprio ser.
Chamemos à baila João Evangelista e peçamos nos diga o que sabe acerca do natal do Messias, e ele nos dirá: Jesus nasceu no dia em que meu entendimento, iluminado pela sua divina graça, me fez saber que Deus é amor.
Dirijamo-nos a Zaqueu, o publicano, e eis o seu testemunho: Jesus nasceu em Jericó, numa esplêndida manhã de sol, quando eu, ansioso por conhecê-lo, subi numa árvore, à beira do caminho por onde ele passava, contentando-me com o ver de longe. Eis que ele, amorável e bom, acena-me, dizendo : Zaqueu, desce, importa que me hospede contigo. Naquele dia entrou a salvação no meu lar.
Interpelemos Tomé, o incrédulo: Quando e onde nasceu o Mestre? Ele, por certo, retrucará: Jesus nasceu em Jerusalém, naquele dia memorável e inesquecível em que me foi dado testificar que a morte não tinha poder sobre o Filho de Deus. Só então compreendi o sentido de suas palavras: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida."
Apelemos, finalmente, para Dimas, o bom ladrão: Onde e quando Jesus nasceu? Ele nos informará: Jesus nasceu no topo do Calvário, precisamente quando a cegueira e a maldade humana supunham aniquilá-lo para sempre; dali ele me dirigiu um olhar repassado de piedade e de ternura, que me fez esquecer todas as misérias deste mundo e antegozar as delícias do Paraíso. Desde logo, senti-o em mim e eu nele.
Tal foi o testemunho do passado — tal é o testemunho do presente, dado por todos os corações que, deixando de ser quais hospedarias de Belém, onde não havia lugar para o nascimento de Jesus, se transformaram, pela humildade, naquela manjedoura, que o amor engenhoso da mais pura e santa de todas as mães converteu no berço do Redentor do mundo.

Fonte: Em Torno do Mestre - Vinicius
imagem: google

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

ANÁLISE DOS SOFRIMENTOS V

                O sofrimento resultante do condicionamento abarca a educação incorreta, a convivência social pouco saudável, que propiciam agregados físicos e mentais contaminados.
                A escala de valores, para muitos indivíduos, apresenta-se investida, tendo por base o imediato, o arriscado, o vulgar e o promíscuo, o poder transitório, a força, como relevantes para a vida. Os seus agregados, sob altas cargas de contaminação, produzem sofrimentos físicos e mentais duradouros.
                As festas ruidosas atraem a atenção, as companhias jovens e irresponsáveis despertam interesse, as conversações chulas produzam galhofa, que são satisfações de um momento, responsáveis por sofrimentos de largo porte.
                Ao mesmo tempo, a contaminação psíquica e física, derivada dos condicionamentos doentios dos grupos sociais e dos indivíduos, promove sofrimentos, que poderiam ser evitados.
                A irradiação mórbida de uma pessoa enviando à outra energia negativa, termina por contaminá-la, caso esta não possua fatores defensivos, reagentes, que procedem da sua conduta mental e moral edificante.
                O homem vive na Terra sob a ação de medos: da doença, da pobreza, da solidão, do desamor, do insucesso, da morte. essa conduta é resultado de seu despreparo para os fenômenos normais da existência, que deve encarar como processo da evolução.
                Herdeiro da própria consciência, é também legatário dos atavismos sociais, dos hábitos enfermos, dentre os quais se destacam esses pavores que resultam das superstições, desinformações e ilusões ancestrais, formando os condicionamentos perturbadores.
                Absorvendo e impregnando-se desses fatores negativos, os sofrimentos apresentam-se-lhe inevitáveis, produzindo distúrbios psicológicos, mentais e físicos por somatização automática.
                A educação calcada nos valores ético-morais, não –castradora, que estimule a consciência do dever e da responsabilidade do indivíduo para com ele próprio, para com o seu próximo e para com a vida, equipa-o de saúde emocional e valor espiritual para o trânsito equilibrado pela existência física. Esse conhecimento prepara-o para que saiba selecionar o que lhe é útil e saudável, ajudando-o no crescimento interior para a sua realização pessoal. Enquanto este discernimento não se transformar em força canalizadora para o seu bem, o indivíduo experimentará o sofrimento resultante do condicionamento, que lhe advém dos agregados físicos e mentais contaminados.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

ANÁLISE DOS SOFRIMENTOS IV

                Aí estão os vícios sociais e morais estiolando vidas, produzindo a lassidão dos sentidos e, a médio, curto ou longo prazo conduzindo à loucura, ao autocídio. São alguns deles o inocente cigarro de exibição no grupo social como afirmação da personalidade, eliminação de tabu, respondendo por graves problemas respiratórios, cânceres, enfisemas pulmonares; o prazer etílico gerador de ressacas tormentosas, cirroses hepáticas, úlceras gástricas e duodenais, distúrbios intestinais e outros, além das alucinações que levam à violência, à depressão, à destruição de outras vidas e tudo quanto é caro, precioso, com resultados funestos; as drogas, que escravizam iniciando-se as dependências nas primeiras tentativas que parecem proporcionar prazer, estimulando a alegria, a coragem, a realização, vitórias fugidias sobre os fortes conflitos psicológicos, logo se convertendo em desgraças, às vezes, irremediáveis.
                O engano de considerar-se invencível, superior, provando o desconhecimento da fragilidade e da impermanência do conjunto que o constitui, especialmente de seu corpo, faculta, ao ser, prazer mentiroso, que o desperta sob grande sofrimento.
                Ninguém escapa às conjunturas que constituem a vida. Programada de forma a educar e fortalecer, seus aprendizes não a podem burlar indefinidamente.
                Enfrentar as vicissitudes e superar os valores indicativos de prosperidade, de prazer injustificável, eis como poupar-se ao sofrimento. É certo que um número significativo de prazeres se apresenta, sem riscos de converter-se em fator afligente.
                O sofrimento, portanto, quando se tem dele consciência, é facilmente evitável.

( continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

ANÁLISE DOS SOFRIMENTOS III


              Há o prazer que gera sofrimento.
                O cotidiano demonstra que a busca insaciável do prazer constitui um tormento que aflige sem compensação. Quando se tem a oportunidade de fruí-lo, constata-se que o preço pago foi muito alto e a sensação conseguida não recebeu retribuição correspondente.
                Ademais, há aquisições que proporcionam prazer em um momento para logo se transformarem em dores acerbas. E o responsável por esse resultado é a ilusão. A maioria dos sofrimentos decorre da forma incorreta por que a vida é encarada. Na sua transitoriedade, os valores reais transcendem ao aspecto e à motivação que geram prazer.
                Esse é o sofrimento da impermanência das coisas terrenas. Esfumam-se como palha ao fogo, atiçado pelo vento, logo se transformando em cinza flutuando no ar.
                Para conseguir desfrutar de determinado prazer o indivíduo investe além das possibilidades, constatando, depois, quantas dificuldades tem a enfrentar para manter essa conquista. A luta para possuir um automóvel último modelo expõe-no a compromissos pesados para o futuro. A imaginação estimula-o com a ilusão da posse para averiguar, passado o prazer, que não tem condições para preservar o veículo adquirido, ou os móveis, ou a residência, enfim, tudo quanto é impermanente e brilha com atração apenas por um dia.
                Medidas as possibilidades sem sacrifícios, é factível constatar até onde pode aventurar-se, sem os riscos de sofrer dores e arrependimentos tardios.
                Essa visão correta, realista, que se adquire da existência, emoldura-a de harmonia. No entanto, a fantasia injustificada responde pelo choque inevitável com a realidade.
                Certamente, a cautela nas decisões ao se pode converter em medo de agir, em cultivo de pessimismo para o futuro. São a ambição irrefreada, a precipitação, a falta de controle, que abrem espaços emocionais para o prazer que gera dor.

( continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

domingo, 7 de dezembro de 2014

ANÁLISE DOS SOFRIMENTOS II

                A doença é resultado do desequilíbrio energético do corpo em razão da fragilidade emocional do espírito que o aciona. Os vírus, as bactérias e os demais microorganismos devastadores não são os responsáveis pela presença da doença, porquanto eles se nutrem das células quando se instalam nas áreas em que a energia se debilita. Causam fraqueza física e mental, favorecendo o surgimento da doença, por falta da restauração da energia mantenedora da saúde. Os medicamentos matam os invasores, mas não restituem o equilíbrio como se deseja, se a fonte conservadora não irradia a força que sustenta o corpo.
                Momentaneamente, com a morte dos micróbios, a pessoa parece recuperada, ressurgindo, porém, a situação, em outro quadro patológico mais tarde.
                A conduta moral e mental dos homens, quando cultiva as emoções da irritabilidade, do ódio, do ciúme, do rancor, das dissipações, impregna o organismo, o sistema nervoso, com vibrações deletérias que bloqueiam áreas por onde se espraia a energia saudável, abrindo campo para a instalação das enfermidades, graças à proliferação dos agentes viróticos degenerativos que ali se instalam.
                Quase sempre as terapias tradicionais removem os sintomas sem alcançarem as causas profundas das enfermidades.
                A cura sempre provém da força da própria vida, quando canalizada corretamente.
                As tensões físicas, mentais e emocionais são, igualmente, responsáveis pelas doenças – sofrimento que gera sofrimento.
                O homem, desde as suas origens sociais, aprende a ter medo, a conservar mágoas, a desequilibrar-se por acontecimentos de somenos importância, desarticulando o seu sistema energético. Passa de um aborrecimento para outro, cultivando vírus emocionais que facultam a instalação dos outros, degenerativos, responsáveis pelo agravamento das usas doenças.
                Os condicionamentos, as idéias pessimistas, as crenças absurdas, as ações vexatórias são responsáveis pelas tensões que levam à desarmonia.
                Evitando essas cargas, o sistema energético-imunológico liberará de doenças o indivíduo, e a sua vida mudará, passando a melhorar o seu estado de saúde.
                As causas profundas das doenças, portanto, estão no indivíduo mesmo, que se deve auto-examinar, autoconhecer-se a fim de liberar-se desse tipo de sofrimento.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sábado, 6 de dezembro de 2014

ANÁLISE DOS SOFRIMENTOS I

                Empenhar-se em superar o sofrimento deve ser a constante preocupação do homem.
                A dor macera os sentimentos, desencoraja as estruturas psicológicas frágeis, infelicita, leva a conclusões falsas e estimula os estados de exaltação emocional ou de depressão conforme a estrutura íntima de cada vítima.
                Apresenta-se sob dois aspectos: físico e mental, na imensa área das patologias geradoras de doenças. Nesse caso, o sofrimento é como uma doença e resultado dela.
                As doenças, porém, são inevitáveis na existência humana, em razão da constituição molecular do corpo, dos fenômenos biológicos a que está sujeito nas suas incessantes transformações.
                A abrangência da ação da matéria sobre o espírito, particularmente nos estágios mais primitivos, enseja sofrimentos constantes face às doenças físicas contínuas e às distonias mentais frequentes.
                À semelhança do buril agindo sobre a pedra bruta e lapidando-a, as doenças são mecanismos buriladores para a alma despertar as suas potencialidades e brilhar além do vaso orgânico que a encarcera.
                Nessa área, a ciência médica alcançou um elevado patamar do conhecimento, debelando antigas enfermidades que dizimavam milhões de existências e alucinavam multidões.
                A lucidez do diagnóstico, a habilidade cirúrgica, a farmacopéia rica e as diversas terapias alternativas tem contribuído com um grande contingente de socorro para atender os enfermos. Embora os surtos periódicos de antigos males e o surgimento de outros que a imprevidência gera, essa conquista expressiva contribui para que tal sofrimento seja atenuado.
                Na área das psicopatologias a visão humana é hoje mais benigna do que no passado, considerando o enfermo mental um ser humano, e como tal prossegue, ainda que momentaneamente tenha perdido a identidade, o equilíbrio, com o direito de receber assistência, oportunidade e amor.
                Multiplicaram-se, lamentavelmente, porém, os distúrbios existenciais, comportamentais, na área psicológica, nascendo a chamada geração neurótica perdida no mare magnum das vítimas do sexo em desalinho, das drogas alucinantes, da violência e agressividade urbanas, do cinismo desafiador.
                Os avanços tecnológicos não bloquearam os corredores do desespero; a cultura hedonista, fria em relação aos valores morais, e as guerras contínuas fomentaram o medo, a insatisfação, o desespero, as fugas emocionais.
                A juventude insegura tornou-se-lhe a grande vítima a um passo da depressão, da loucura, do suicídio.
                Ao lado das diversificadas patologias desesperadoras do momento os fenômenos psicológicos de desequilíbrio alastram-se incontroláveis.
                A mole humana passou a sofrer o efeito desses sofrimentos que se generalizaram.     

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

TÉCNICAS DA VIDA III

            Pudessem os metais negar-se à fornalha e a mínimas utilidades se reduziriam às necessidades humanas.
Recusasse-se a bomba cardíaca à ação intérmina e de breve duração se faria a vida animal e humana.
Dor é bênção que impulsiona o progresso.
Saúde é estímulo para o progresso.
Uma e outra constituem, no entanto, técnicas de que a vida se utiliza para a promoção de todas as criaturas.
Assim, liberta-te da amargura, da queixa e do pessimismo, recordando as horas boas e revivendo-as, de modo a te sentires emulado a prosseguir, ao invés de te deter na tristeza e, desanimado, parares.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

TÉCNICAS DA VIDA II

                Foste mal sucedido num tentame. Esquece e recomeça-o, otimista.
                Atravessaste períodos difíceis, que te marcaram profundamente. Olvida e prossegue.
                Sofreste enfermidades pertinazes. Liberta-te da lembrança e vive.
                Provaste o fel da ingratidão várias vezes. Desculpa e avança.
                Perdeste bens e valores queridos. Recomeça e produze.
                Sempre há oportunidade nova, quando se deseja vencer.
                O guichê das reclamações está sempre repleto de pessoas atormentadas, enquanto que o da gratidão jaz vazio.
                Há muito para bendizer e louvar.
                Certamente sofreste, todavia, isto é o passado. Nesse pretérito, mil vezes houve em que sorriste, sonhaste, produziste, amaste e recebeste amor...
                Por que recordar somente o lado menos bom, aquele que te descontentou?
                Por que a eleição da amargura, em detrimento dos júbilos?
                Ninguém, no mundo, que passe incólume às experiências alegres como às tristes.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

TÉCNICAS DA VIDA I

                A vida são dádivas de amor onde e como quer que se expresse.
                Hálito divino, constitui bênção da forma como se manifeste.
                Alegrias e tristezas, felicidade e desdita, saúde e doença, poder e pobreza são experiências por onde transita o espírito no seu processo evolutivo.
                Legatário dos próprios atos, renasce para crescer, recapitulando labores mal sucedidos, aprendendo lições novas, superando-se.
                Erro e acerto, insucesso e triunfo constituem técnicas para a fixação da aprendizagem que o liberta das paixões, acrisolando os valores reais do bem.
                A vida atua em forma circular.                                          
                Tudo quanto se transforma em pensamento e ação se dilata e volve ao ponto de partida.
                Qualquer emissão vibratória segue a linha por onde se projeta e retorna ao fulcro gerador da força que a impulsiona.
                Se pensas bem, isto faz-te bem.
                Se pensas mal, eis que estás mal.
                Imperioso corrigires a tua posição mental, a fim de educares os teus impulsos.
                Mente e ação constituem causa e efeito que se interrelacionam.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DESTINAÇÃO

Torpitude larval, de monera a monera,
Impulso a impulso, passo a passo, clima em clima.
Do lodo ao céu, da treva ao sol, de baixo
acima,
Homem, de longe vens!... Detém-te, escuta,
espera!
A fé restaura, o bem renova, a dor sublima.
Trabalha, sofre, aprende, ampara, persevera
Na construção do amor, por mais rija e severa,
Inda que a ingratidão te furte a humana
estima!
Da cruz que te escraviza entre abismos
medonhos,
tecerás, vida em vida, as asas de teus
sonhos,
Gemas, no entanto, agora, em lágrimas
submerso.
Hoje, viajor da sombra a caminhar de rastros,
Amanhã, rei da luz no domínio dos astros,
Partilhando com Deus o Trono do Universo!


Fonte: Poetas Redivivos – Chico Xavier/Maciel Monteiro
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domingo, 30 de novembro de 2014

EUTANÁSIA EM ANIMAIS

Pergunta - Meu cachorrinho sofria de insuficiência renal crônica, um tumor no testículo e inflamação crônica na coluna. Decidimos pela eutanásia, mas me sinto culpada desde que vis seu corpinho sem vida. Queria saber se o espírito dele já está livre das dores que o corpo terreno lhe proporcionava. Queria ter certeza de que ele está bem e feliz?
Resposta - As equipes espirituais, que se encarregam dos animais se esmeram em evitar que sofram desnecessariamente. Quando desencarnam, eles imediatamente se veem livres das dores que lhes provocavam sofrimento. Eles são tratados de modo a eliminar as dores e corrigir as formas corporais e fisiologia corporal (corpo espiritual) antes de serem enviados à reencarnação ou trabalhos voluntários ao lado dos espíritos. Quando encaminhados à reencarnação, seus corpos são reconstituídos e preparados para a miniaturização que antecede o retorno ao mundo físico. Nesse processo, todo o sofrimento evidente nos momentos que antecederam o desligamento (em decorrência da própria enfermidade) desaparece para dar lugar a um corpo sadio e perfeito em que não há mais dores e sofrimento. No entanto, no caso de morte provocada sem as devidas providências preventivas as consequências são diferentes. Quando no desligamento não foi usada anestesia e substâncias tóxicas causaram lesões ao corpo espiritual, as equipes espirituais têm mais trabalho em recuperar a saúde do animal lesado e o sofrimento é maior também. E prolonga-se porque o desligamento entre o corpo físico e o espiritual é mais lento. Nesse caso o animal mantém a consciência por mais tempo, permanece ligado ao corpo físico por mais tempo, mas mesmo assim o alívio é imediato quando as equipes o desligam em definitivo. Então, em geral, são tornados inconscientes e permanecem em estado de suspensão. Algumas vezes têm permissão para ficar acordados durante o processo de desligamento e após também. Uma vez desligados, o sofrimento desaparece e a felicidade toma o lugar da dor. Se a eutanásia foi feita por uma pessoa que evitou a dor, então ele nada sentiu e somente encontrou a felicidade no outro lado da vida.


Fonte: A ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS – Marcel Benedeti
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sábado, 29 de novembro de 2014

MENSAGEM DE COMPANHEIRO

(Jésus Gonçalves)

Não te admitas réu de afrontosa sentença,
Largado de hora em hora a sombra em que te esmagas,
Varando tanta vez humilhações e pragas
À feição de calhaus da humana indiferença.

Crueldade, paixão, injúria, crime, ofensa
Criaram-nos, um dia, a estamenha de chagas!…
No pretérito abriste o espinheiro em que vagas
E, embora a provação, trabalha, serve e pensa.

Ânsia, tribulação, abandono, amargura,
São recursos da lei com que a lei nos depura
O coração trancado em nódoas escondidas…

Bendize, amado irmão, as feridas que levas,
A dor extingue o mal e o pranto lava as trevas

Que trazemos em nós dos erros de outras vidas.


Comentários J. Herculano Pires
Jésus Gonçalves utiliza em seus versos expressões como túnica de chagas e estamenha de chagas para figurar a condição em que viveu no final da sua ultima existência terrena. A túnica de estamenha, grosseiro tecido de lã, era vestimenta comum na Judeia do tempo de Jesus. Evidente o simbolismo poético dessas expressões. Os judeus pobres vestiam-se de estamenha, enquanto os ricos usavam túnicas refulgentes dos mais finos tecidos. Mas na vida espiritual essa situação se invertia, como vemos na parábola evangélica de Lazaro e o rico.
No soneto de Jesus Gonçalves vemos o mesmo processo. A estamenha de chagas é tecida no passado da própria criatura pela sua crueldade e a sua arrogância. No tear do destino os fios da loucura humana são tecidos pelas nossas ações. E aquilo que tecemos e precisamente o que iremos vestir em próxima existência. Ninguém, portanto, está sujeito na Terra a uma “afrontosa sentença”, mas apenas submetido as consequências de seu próprio comportamento em vida anterior. A cada um segundo as suas obras, porque somente assim aprenderemos a vencer o mal, a superar nossas tendências inferiores, nosso egoísmo criminoso.
Os “recursos da lei” não representam condenação implacável, mas corrigenda necessária. Por isso escrevia Leon Denis: “A dor e uma lei de equilíbrio e educação”. Mas nem por isso devemos pensar que os sofredores não devem ser socorridos. A lei maior da caridade nos obriga a ajudar os que sofrem. É verdade que “a dor extingue o mal e o pranto lava as trevas”, mas a indiferença ante a dor e o pranto do próximo é também um mal que pode e deve ser extinto pela caridade. Socorrendo os que sofrem estaremos tecendo, no tear do nosso destino, os fios da sensatez e da bondade que nos preparam uma túnica de luz para o futuro.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
imagem: google

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

DEPENDÊNCIA

                Os tabus sexuais, as velhas estruturas familiares, as normas tradicionais do matrimônio, consideradas virtudes femininas, estabeleceram, na formação educacional as mulheres, todo um comportamento de dependência em relação aos homens. Elas centraram suas vidas em outros indivíduos, preocupadas em receber proteção e cuidados, e destruíram. Com o tempo, suas vocações e aptidões mais íntimas.
                A capacidade de amar está presente na lama humana, mas, para que floresça, exige maturação da consciência, isto é, aprimoramento dos sentimentos. A forma como usamos nossos sentimentos é uma resposta aprendida.
                A criatura aprende a utilizar o amor através de um processo que está diretamente relacionado com o ambiente em que viveu na infância e com o em que vive hoje, somando-se a tudo isso a capacidade íntima de aprendizagem. Portanto, estamos constantemente aprendendo a amar.
                Paralelamente, sabemos que as diversas vivências reencarnatórias sedimentam na alma humana certas predisposições singulares no entendimento do amor. Os costumes, as tradições e os hábitos que envolvem o namoro, o casamento, sexo e a família, completamente diferentes de nação para nação. De continente para continente, estabelecem noções diversificadas sobre a afetividade nos espíritos em sua longa marcha evolutiva.
                Existem aqueles que colocaram o amor dentro de uma estrutura romântica, ou seja, fazem prevalecer um sentimentalismo exagerado e uma imaginação irreal, desprezando o significado dos sentimentos autênticos. Eles acreditam que o casamento extingue por completo todas as adversidades e infortúnios existenciais e que as ansiedades do cotidiano acabariam, terminantemente, quando a cerimônia sacramentasse num abraço de ternura o felizes para toda a eternidade.
                A necessidade recíproca de controle, as promessas de que renunciariam à própria individualidade e teriam os mesmos objetivos para todo o sempre são os primeiros indícios de uma enorme desilusão na vida a dois. Compromissos de amor são válidos, desde que aprendamos que nossa vida está em constante renovação. Assim como as pessoas passam por diversas transformações, também o amor que sentem pelos outros se transforma. Quanto mais observarmos os ciclos da vida fora de nós, mais entenderemos as transformações que ocorrem em nossa intimidade, porque nós também somos vida. Apenas desse modo, ficaremos mais seguros e estáveis em relação ao nosso desenvolvimento e amadurecimento afetivos.
                A diferença fundamental entre amor e dependência é observada com clareza nas ações e comportamentos das criaturas. A dependência prende, possessivamente, uma pessoa à outra, enquanto o amor de fato incentiva a liberdade, a sinceridade e a naturalidade. O dependente é caracterizado por demonstrar necessidade constante e por reclamar sistematicamente a atenção do outro.
                O indivíduo dependente padece dos recursos psíquicos de alguém para viver. Ele dirá eu o amo, mas, em realidade, quer dizer eu preciso de você, ou mesmo, eu não vivo sem você. O amor real baseia-se no sentimento compartilhado entre duas pessoas maduras, ao passo que o amor dependente implora consideração e carinho, infantilmente.
                Os legítimos sentimentos da alma nunca se sujeitam a ordenações e imposições, mas sim a uma completa espontaneidade de atitudes e emoções. Dependência gera dores na alma; já a liberdade para amar é um direito natural de todos os filhos de Deus.


Do livro: As Dores da Alma – Francisco do Espírito Santo Neto/Hammed
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

ASSUNTOS DE TEMPO

Se você já sabe quão precioso é o valor do tempo, respeite o tempo dos outros para que as suas horas sejam respeitadas.

Recorde‐se de que se você tem compromissos e obrigações com base no tempo, acontece o mesmo com as outras pessoas.

Ninguém evolui, nem prospera, nem melhora e nem se educa, enquanto não aprende a empregar o tempo com o devido proveito.

Seja breve em qualquer pedido.

Quem dispõe de tempo para conversar sem necessidade, pode claramente matricular‐se em qualquer escola a fim de aperfeiçoar‐se em conhecimento superior.

Trabalho no tempo dissolve o peso de quaisquer preocupações, mas tempo sem trabalho cria fardos de tédio, sempre difíceis de carregar.

Um tipo comum de verdadeira infelicidade é dispor de tempo para acreditar‐se infeliz.

Se você aproveitar o tempo a fim de melhorar‐se, o tempo aproveitará você para realizar maravilhas.

Observe quanto serviço se pode efetuar em meia hora. Quem diz que o tempo traz apenas desilusões, é que não tem feito outra cousa senão iludir‐se.


Fonte: Sinal Verde – Chico Xavier/André Luiz
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terça-feira, 25 de novembro de 2014

A GUERRA DE CADA UM

                Na questão de número 742 de O Livro dos Espíritos, Kardec indaga sobre qual é a causa que leva o homem à guerra. Os espíritos superiores nos ensinam o seguinte: “Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, os povos não conhecem senão o direito do mais forte; por isso, a guerra é para eles um estado normal. À medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade.”
                Você acha que as guerras já acabaram? E se eu afirmar que diariamente elas acontecem?
                Basta procurarmos a definição do que seja uma guerra no stricto sensu e no lato sensu. Em lato sensu, ou seja, em sentido amplo, a guerra é a que nós conhecemos de um pais contra outro ou, até mesmo, uma guerra civil. Em stricto sensu, ou seja, em sentido mais restrito, essa guerra explode, infelizmente, todos os dias envolvendo pessoas. Os noticiários da imprensa estão repletos desses exemplos lamentáveis. Nos dias atuais uma senhora jovem foi executada por um grupo de pessoas que resolveram fazer justiça com as próprias mãos. E a vítima era inocente. Em outro caso de grande repercussão, uma menina de treze anos foi executada por outras duas adolescentes por motivo fútil. E se fôssemos continuar a citar exemplos, o espaço não daria para outros comentários. Na revista ISTO É, edição de número 2320, de 14/05/2014, páginas 64 a 66, encontramos um estudo de um sociólogo da USP que nos revela dados alarmantes: um milhão de brasileiros participaram de linchamentos nos últimos 60 anos; duas vezes por dia pessoas são linchadas ou sofrem tentativas de linchamento no país. É a guerra particular que envolve pessoas com uma carga muito grande de ódio dentro de si. Quando encontram um motivo, por mais injustificável que seja, despejam sobre a vítima todo o fel que trazem na alma. Essa é a guerra em seu stricto sensu, que ainda abunda pelas sociedades nos mais diferentes países. É a guerra de cada um.
Ensina Joanna de Ângelis que o ódio é o filho predileto da selvageria que permanece em a natureza humana. Irracional, ele trabalha pela destruição de seu oponente, real ou imaginário, não cessando, mesmo após a derrota daquele.
Muitas vezes pensamos que o ódio capaz de tal destruição já nasce gigantesco como se fosse um monstro devorador da paz alheia. Mas não. Esse ódio vai sendo alimentado dia a dia através de pequenos desajustes que não percebemos um que não valorizamos. Nasce frágil como uma primeira centelha de um grande incêndio. Quando nos irritamos e discutimos no trânsito, ei-lo que está começando a irromper pequenino dentro de nós. Quando nos desentendemos com um companheiro no trabalho, ei-lo a dar os primeiros passos dentro de nós. Quando alimentamos a discussão dentro do lar, eis aí a tentativa do ódio em nascer e crescer se assim o permitirmos. Quando revidamos uma pequena ofensa, estamos proporcionando ocasião para que o ódio capaz de destruir o outro ganhe espaço. É a guerra particular de cada um.
Conforme nos leciona Joanna de Ângelis, Amorterapia – eis a proposta de Jesus.
A ignorância deve ser combatida e o ignorante educado.
O crie necessita ser eliminado, mas o criminoso merece ser reeducado.
As calamidades de quaisquer expressões precisam ser extirpadas, no entanto os seus prepostos, na condição de doentes, aguardam amparo e cura.
O amor não acusa, corrige; não atemoriza, ajuda; não pune, educa; não execra, edifica; não destrói, salva.
Pitágoras, há mais de 2500 anos afirmava o seguinte: “Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor.”
Não é o que temos feito? Que nos perdoem aqueles que aqui não se incluam, mas a grande maioria, infelizmente, veste a carapuça.
Contaminamos rios; poluímos a atmosfera; dizimamos florestas em busca do dinheiro; submetemos pela força os animais nas mais diferentes situações e pelos mais diferentes motivos. São atitudes agressivas que nos conferem a sensação de sermos todos poderosos, principalmente quando a impunidade acompanha com o seu beneplácito tais atitudes. Nessa onda de tudo podermos, quando nos deparamos com o semelhante à nossa frente que destoa da maneira como pensamos, ele corre o risco de ser atropelado com a mesma sensação de poder com que viemos agredindo os outros reinos da Criação. É a guerra de cada um. É a guerra em seu stricto sensu. Tão devastadora para o seu autor como a outra guerra, a que envolve a muitas pessoas que s e atracam porque deixaram crescer dentro de si as pequeninas cargas de ódio que foram minando o amor que deveria ter florescido no sentimento de cada um. A guerra ainda está por aí procurando abrigo nos corações invigilantes. E a guerra de cada um que deveria ser contra si mesmo, contra as suas imperfeições, mas que, infelizmente, se volta contra o próprio semelhante a quem deveríamos amar como a nós mesmos.

Ricardo Orestes Forni
Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – julho/2014
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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CONTRASTES

Cap. III – Item 6
Existem contrastes exprimindo desigualdades.
Muitas criaturas encarnadas querem fugir da vida humana; contudo, as filas da reencarnação congregam milhares de candidatos ansiosos pelo renascimento...
Legiões de trabalhadores se esquivam do trabalho; no entanto, sempre há multidões de desempregados...
Numerosos alunos negligenciam os estudos; todavia, inúmeros jovens não têm qualquer oportunidade de acesso às casas de instrução, embora o desejem ardentemente...
Existem contrastes tecendo contradições.
Tudo prova a presença do Criador no Universo; todavia, mentes recheadas de conhecimento não crêem na Realidade Divina...
Todos podemos dar algo em favor do próximo; no entanto, muitos possuem em abundância e nada oferecem a ninguém...
Temos a apologia da paz onipresente; contudo, extensa maioria forja a guerra dentro de si mesma...
Existem contrastes gravando ensinamentos.
Há direitos idênticos e deveres semelhantes; contudo, há vontades diferentes, experiências diversas e méritos desiguais...
A caridade mais oculta aos homens é, no entanto, a mais conhecida por Deus...
A vida humana constitui cópia imperfeita da Vida Espiritual; todavia, a perfeição das grandes Almas desencarnadas da Terra foi adquirida no solo rude do planeta...
André Luiz

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
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domingo, 23 de novembro de 2014

DEPRESSÃO

Palestra realizada por Roosevelt Thiago no Programa Mentes do Amanhã, muito esclarecedora, vale a pena arrumar um tempinho para ouvir. Nos auxilia na observação do nosso comportamento, para evitarmos essa doença, que ao contrário do que dizem, não é tipica dessa era, pois existem relatos desse mal desde sempre.



sábado, 22 de novembro de 2014

HERESIAS

“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA AOS CORÍNTIOS 11:19.)

Recebamos os hereges com simpatia, falem livremente os materialistas, ninguém se insurja contra os que duvidam, que os descrentes possuam tribunais e vozes.
Isso é justo.
Paulo de Tarso escreveu este versículo sob profunda inspiração.
Os que condenam os desesperados da sorte não ajuizam sobre o amor divino, com a necessária compreensão. Que dizer-se do pai que amaldiçoa o filho por haver regressado a casa enfermo e sem esperança?
Quem não consegue crer em Deus está doente. Nessa condição, a palavra dos desesperados é sincera, por partir de almas vazias, em gritos de socorro, por mais dissimulados que esses gritos pareçam, sob a capa brilhante dos conceitos filosóficos ou científicos do mundo. Ainda que os infelizes dessa ordem nos ataquem, seus esforços inúteis redundam a benefício de todos, possibilitando a seleção dos valores legítimos na obra iniciada.
Quanto à suposta necessidade de ministrarmos fé aos negadores, esqueçamos a presunção de satisfazê-los, guardando conosco a certeza de que Deus tem muito a dar-lhes. Recebamo-los como irmãos e estejamos convictos de que o Pai fará o resto.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

SOFRIMENTO III

                É a sensibilidade emocional que filtra a dor e a exterioriza. Com ela reduzida, as agressões de toda ordem recebem resposta de violência e agressividade.
                Nas faixas mais primitivas da evolução, os fenômenos dor, desgaste, envelhecimento e morte, porque quase destituídos os seres de raciocínio e emotividade, que ainda se lhes encontram em germe, seguem uma linha direcional automatista, na qual as exceções atestam o trânsito da essência psíquica para estágios mais elevados.
                Decorre disso que o sofrimento é maior nas áreas moral e emocional, que somente se encontram nos portadores de mais alto grau de evolução, de sensibilidade, de amor, capazes de ultrapassar tais condições, sobrepondo-se-lhes mediante o controle de que se fazem possuidores, diluindo na esperança, na ternura e na certeza da vitória as injunções aflitivas.
                Fugir, escamotear, anestesiar o sofrimento são métodos ineficazes, mecanismos de alienação que postergam a realidade, somando-se sempre com a sobrecarga das complicações decorrentes do tempo perdido. Pelo contrário, uma atitude corajosa de examiná-lo e enfrentá-lo representa valioso recurso de lucidez, com efeito terapêutico propiciador de paz.
                As reações de ira, violência e rebeldia ao sofrimento mais o ampliam, pelo desencadear de novas desarmonias em áreas antes não afetadas.
                A resignação dinâmica, isto é, a aceitação do problema com uma atitude corajosa de o enfrentar e remover-lhe a causa, representa avançado passo para a sua solução.
                É de insuspeitável significação positiva o equilíbrio mental e moral diante do sofrimento, o que se consegue através do treinamento pela meditação, pela oração, que defluem do conhecimento que ilumina a consciência, orientando-a corretamente.
                Conhecer-se, na condição de espírito imortal em processo evolutivo através das experiências reencarnatórias, representa para o homem alta aquisição de valores para compreender, considerar e vencer o sofrimento, que faz parte do modus operandi de todos os seres.
                Muitas pessoas advogam que o sofrimento é a única certeza da vida, sem compreenderem que ele está na razão direta da conduta remota ou próxima mantida para cada qual.
                Pode-se dizer, portanto, que a sua presença resulta do distanciamento do amor, que lhe é o grande e eficaz antídoto.
                Interdependentes, o sofrimento e o amor são mecanismos da evolução. Quando um se afasta, o outro se apresenta. Às vezes, coroando a luta, na etapa final, ei-los que surgem simultaneamente, sem os danos que normalmente desencadeiam.
                A história dos mártires atesta-nos a legitimidade do conceito.
                Acima de todos eles, porém, destaca-se o exemplo de Jesus, lecionando, pelo amor, a vitória sobre o sofrimento durante toda a Sua vida, principalmente nos momentos culminantes do Getsémani ao Gólgota, e daí à ressurreição.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

SOFRIMENTO II

                A dor não é uma punição. Antes, revela-se um excelente mecanismo da vida a serviço da própria vida.
                Fenômeno de desgaste pelas alterações naturais da estrutura dos órgãos – à medida que a energia se altera advém a deteriorização do invólucro material que ela vitaliza – essa disjunção faz-se acompanhada pelas sensações desagradáveis da angústia, desequilíbrio e dor, conforme seja a área afetada no indivíduo.
                Desse modo, é inevitável a ocorrência do sofrimento na Terra e nas áreas vibratórias que circundam o planeta, nas quais se movimentam os seus habitantes. Ele faz parte da etapa evolutiva do orbe e de todos quantos aqui estagiam, rumando para planos mais elevados.
                Na variada gênese do sofrimento, todo esforço para mitigá-lo, sem a remoção das causas, não logrará senão paliativos, adiamentos. Mesmo quando alguma injunção premie o enfermo com uma súbita liberação, se a terapia não alcançou as razões que o desencadeiam, ele transitará de uma para outra problemática sem conseguir a saúde real.
                Isso porque, em todo processo degenerativo ou de aflição, o espírito, em si mesmo, é sempre o responsável, consciente ou não. E, naturalmente, só quando ele se resolve pela harmonia interior, opera-se lhe a conquista da paz.
                Em tal situação, mesmo ocorrendo os processos transformadores da ação biológica, o sofrimento disso decorrente não afeta a emoção nem se transforma em casa de danos. À semelhança de outros automatismos fisiológicos, a consciência não lhe registra a manifestação.
                O sofrimento, portanto, pode e deve ser considerado uma doença da alma, que ainda se atém às sensações e opta pelas direções e ações que produzem desequilíbrio. Nessa fase, dos interesses imediatos, todo um emaranhado de paixões primitivas propele o ser na direção do gozo, sem a ética necessária ou o sentimento de superior eleição, e o atira nos cipoais dos conflitos que geram a desarmonia das defesas orgânicas, as quais cedem à invasão de micróbios e vírus que lhe destroem a imunidade, instalando-se, insaciáveis, devoradores.
                Da mesma forma, os equipamentos mentais hipersensíveis desajustam-se, abrindo campo à instalação das alienações, das obsessões cruéis.
                Por extensão, pode-se dizer que o sofrimento não é imposto por Deus, constituindo-se eleição de cada criatura, mesmo porque, a sua intensidade e duração estão na razão direta da estrutura evolutiva, das resistências morais características do seu estágio espiritual.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O SOFRIMENTO I

                O homem empenha-se, afanosamente, para vencer o sofrimento, que se lhe apresenta como adversário soez.
                Em todas as épocas, ele vem travando uma violenta batalha para eximir-se à dor, em contínuas tentativas infrutíferas, nas quais exaure as forças, o ânimo e o equilíbrio, tombando depois em mais graves aflições.
                Passar incólume ao sofrimento é a grande meta que todos perseguem. Pelo menos, diminuir-lhe a intensidade ou acalmá-lo, de modo a poder fruir os prazeres da existência em incessantes variações.
                Imediatista, interessa-lhe o hoje, sem visão do porvir.
                Como efeito, o sofrimento tem sido considerado vingança ou castigo divino, portanto, credor de execração e ódio.
                Diversas escolas filosóficas e doutrinas religiosas, estabeleceram métodos  depuradores para a libertação do sofrimento, que vão desde as mais bárbaras flagelações – silícios, holocaustos, promessas e oferendas – ao ascetismo mais exacerbado, procurando negar o mundo e odiá-lo, a fim de, com essas atitudes, acalmarem e agradarem aos deuses ou a Deus.
                Paralelamente, o estoicismo, herdeiro de alguns comportamentos orientais, tentou imunizar o homem, estimulando-o a uma conduta de graves sacrifícios que, sem embargo, é desencadeadora também de sofrimento.
                Para liberar-se desse adversário, a criatura impõe-se outras formas de dor, que aceita racionalmente, por livre opção, não se dando conta do equívoco em que labora.

(continua)

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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terça-feira, 18 de novembro de 2014

ALMAS-PROBLEMA II

               
               Não te rebeles contra o impositivo da dor, seja como se te apresente.                                                  
               Aqui, é o companheiro que se transforma em áspero adversário; ali, é o filhinho rebelde, ora portador de enfermidade desgastante; acolá, é o familiar vitimado pela arteriosclerose tormentosa; mais adiante, é alguém dominado pela loucura, e que chegam à economia da tua vida depauperado os teus cofres de recursos múltiplos.
                Surgem momentos em que desejas que eles partam da Terra, a fim de que repouses...
                Horas soam em que um sentimento de surda animosidade contra eles te cicia o anelo de ver-te libertado...
                Ledo engano!
                Só há liberdade real, quando se resgata o débito.
                Distância física não constitui impedimento psíquico.
                Ausência material não expressa impossibilidade de intercâmbio.
                O espírito é a vida, e enquanto o amor não lene as dores e não lima as arestas das dificuldades, o problema prossegue inalterado.
                Arrima-te ao amor e sofre com paciência.
                Suporta a alma-problema que se junge a ti e não depereças nos ideais de amparar e prosseguir.
                Ama, socorrendo.
                Dia nascerá, luminoso, em que, superadas as sombras que impedem a clara visão da vida, compreenderás a grandeza do teu gesto e a felicidade da tua afeição a todos.
                O problema toma a dimensão que lhe proporcionas.
                Mas o amor, que cobre a multidão dos pecados voltado para o bem, resolve todos os problemas e dificuldades, fazendo que vibre, duradoura, a paz por que te afadigas.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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