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PODEM NOS TIRAR AS FLORES, MAS NUNCA A PRIMAVERA.

CONHEÇA O ESPIRITISMO - blog de divulgação da doutrina espírita


domingo, 20 de dezembro de 2015

EPOPÉIA DO NATAL

As circunstâncias não poderiam ser piores. A ignorância predominava, triunfante, conclamando as forças da barbaria e do crime que coroavam os arrebatados e aventureiros; a vilania se refugiava nos redutos de aparência respeitável, onde era aceita; a traição e a intriga se disputavam primazia; os ideais de justiça e moral jaziam asfixiados sob o paul da licenciosidade; o povo padecia as mais duras humilhações, entre opróbrios e misérias de toda ordem...... E a guerra decidia a pujança do poder em que mãos deveria demorar.
O homem era examinado pelas pegadas de sangue e lágrima que imprimia na jornada dos sucessos, e as leis subalternas ao carro da impiedade compactuavam com os poderosos que se alçavam à dominação arbitrária. As paisagem políticas ultrajadas pela desídia dos "cabos de guerra", que se sucediam, intempestivos, deixavam marginalizados os fracos e os humildes que nada representavam no cômputo social vigente. Vendê-los, extraditá-los, puni-los
com a morte era direito natural dos governantes, que assim libertavam, de quando em quando, a economia do Estado, da desagradável canga. Em tais circunstâncias nasceu Jesus! Mergulhou na convivência dos homens, tendo como albergue modesta habitação de animais, ante a majestade da noite coroada de gemas estelares, enquanto os favônios varriam, perfumados, os arredores bucólicos da natureza em festa. E se espraiou num oceano de amor entre os esquecidos, desprezados e perseguidos. Consciente da Justiça Divina, inaugurou o período da esperança, disseminando os valores da saúde espiritual com que renovou a Humanidade, tendo os olhos voltados para o futuro. Nunca se queixou nem receou. Carregou o fardo das dores em incomparável silêncio e resignação. Tomou das coisas simples e teceu a túnica da vitória para os que lutassem valorosos e humildes, sem cansaço, até o fim. Atendeu a um príncipe - e o convidou ao Reino, propondo-lhe a humildade. Escutou um jovem rico - e concitou-o à renúncia total a fim de alcançar o Reino. Atendeu a um cobrador de impostos - e estimulou-lhe a generosidade com que lobrigaria chegar ao Reino. No entanto, todos aqueles aos quais concedeu entrevistas, com exceção, uma que outra vez, eram os pecadores, convencionalmente denominados a ralé da sociedade em cujo bojo se guardam infelizes de muitas características... E ninguém igual a Ele! Recordando que estes são dias em que as circunstâncias evocam aquelas já passadas, faze uma pausa na alucinação que campeia avassaladora, facultando que nasça ou renasça no reduto do teu espírito o sêmen sublime do amor, em nome do Amor de todos os Amores que, não obstante ter vindo há quase vinte séculos, se demora ignorado, apesar de ter o nome insculpido no frontespício da História, enunciado frequentemente, porém sem a tônica da Sua lição viva, que ainda não foi legitimamente propagada, nem distribuída mediante os exemplos que clarifiquem a noite sombria que pesa sobre a coletividade hodierna.
Abre, assim, o coração e a mente a Jesus, deixando que neste Natal Ele celebre por teu intermédio a epopeia festiva da paz, no meio em que estás convidado a servir, colocando, desde agora, mas em definitivo, alicerces do amanhã feliz que todos aguardamos, como início da era que Ele anunciou e viveu.

Celeiro de Bênçãos – Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis

 imagem: google

Aos amigos virtuais meus desejos de Feliz Natal e um 2016 repleto de bênçãos. Voltaremos a partir do dia 04/01/2016.

sábado, 19 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA III

                Recebe o insucesso como fenômeno normal nos tentames do teu processo evolutivo.
                Não te consideres inatingível.
                Acostuma-te à fragilidade do corpo e às necessidades de crescimento como espírito que és.
                Nenhuma dor te alcança sem critério superior de justiça.
                Sofrimento algum no teu campo emocional, que se não acabe, deixando o resultado do seu trânsito.
                Utiliza-te das ocorrências que trazem dor, para crescer, e não te apresentes inconformado.
                Jesus, que veio à Terra exclusivamente para viver e ensinar o amor, sem qualquer culpa, nasceu em modesta gruta, passou pelo carreiro de inumeráveis injunções e partiu numa cruz, sob apupos e malquerenças, volvendo, no entanto, Sol Divino que é, em insuperável madrugada que dura até hoje, para que ninguém reclame, nem se revolte, nem se inconforme ante as ocorrências dolorosas do mundo...


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
imagem: google

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA II

                - Prefiro não saber. – Informam as pessoas passadistas, quando convidadas ao exame da vida menos densa.
                - Não consigo acreditar. – Escusam-se as criaturas invitadas ao esclarecimento imortalista, como se estivessem indenes ao fenômeno da cessação da vida biológica.
                - Irei aproveitar o meu tempo, gozando. – Justificam-se os imediatistas ante qualquer referência à meditação, à caridade, ao sacrifício...
                É natural que, visitados por acontecimentos não habituais no canhenho das suas conveniências, derrapem no inconformismo, no desespero, na alucinação...
                A ação inexorável do tempo, entretanto, aguarda todos e modela-os, submetendo-os.
                Mesmo quando se pretende fugir da situação a que se vai arrojado, cai-se na realidade da vida, que predomina em toda parte.
                                                                                                                 

Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

INCONFORMISMO E REVOLTA I

                - Não me conformo! – Explodem, revoltados, aqueles que da vida somente esperam vantagens e recompensas, quando surpreendidos por acontecimentos que lhes parecem desastrosos e trágicos.
                - Deus é injusto! – Proferem estentóricos, os que se supõem credores apenas de receber dádivas, embora desassisados, da vida somente retiram lucros e comodidades.
                - Não mereço isto! – Bradam, desatinados, quantos são colhidos pelo que denominam infortúnios e desgraças, que os desarvoram.
                - Não creio em mais nada! – Estridulam as pessoas tomadas por insucessos desta ou daquela natureza, que afinal, se fossem examinadas com seriedade e reflexão, constituiriam ocasião iluminativa, roteiro de felicidade.
                O homem teima em permanecer anestesiado pela ilusão, sem dar-se conta, conscientemente, da fragilidade da organização carnal de que se encontra temporariamente revestido.
                Cada um, por isso mesmo, a si se concede privilégios e se faculta méritos que não possui.
                Examinassem melhor a vida, verificariam que as ocorrências do trivial, que atingem os outros, a eles também alcançarão, procurando preparar-se para enfrentar com dignidade quaisquer injunções ou dissabores, que são igualmente transitórios.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

CARIDADE

Caridade é, sobretudo, amizade.
Para o faminto – é o prato de sopa fraterna.
Para o triste – é a palavra consoladora.
Para o mau – é a paciência com que nos compete ajudá-lo.
Para o desesperado – é o auxílio do coração.
Para o ignorante – é o ensino despretenciosos.
Para o ingrato – é o esquecimento.
Para o enfermo – é a visita pessoal.
Para o estudante – é o concurso no aprendizado.
Para a criança – é a proteção construtiva.
Para o velho – é o braço irmão.
Para o inimigo – é o silêncio.
Para o amigo – ó estímulo.
Para o transviado – é o entendimento.
Para o orgulhoso – é a humildade.
Para o colérico – é a calma.
Para o preguiçoso – é o trabalho sem imposição.
Para o impulsivo – é a serenidade.
Para o leviano – é a tolerância.
Para o maledicente – é o comentário bondoso.
Para o deserdado da Terra – é a expressão de carinho.
Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces, brilhando para todos, é o gênio de mil mãos, ajudando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, porque, onde estiver o espírito do Senhor, aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.


Fonte: Amor e Sabedoria – Clóvis Tavares/Emmanuel
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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS

Pergunta - Os animais passam por alguma evolução em sua forma ou sempre vem da mesma maneira?
Resposta - Em o Livro dos Espíritos, encontramos que uma planta é sempre uma planta, um animal é sempre um animal e o homem é sempre homem. Por outro lado encontramos que o espírito evolui do átomo ao arcanjo.
            Encontramos que os homens passaram pela fieira da animalidade e que o espírito que anima o ser humano já animou seres inferiores da criação.
            Parecem, à primeira vista, observações contraditórias, já que em um momento se diz que não há evolução e em outro que evoluímos do átomo ao arcanjo.
        Parece um contrassenso, mas são os conceitos que dizem respeito a coisas diferentes. Um se refere ao corpo físico, imutável, do ponto de vista evolutivo e outro o se refere ao espírito. Este, sim, evolui.
            Quando o Espírito de Verdade diz que plantas são sempre plantas e animais são sempre animais, refere-se ao corpo físico que é simplesmente uma ferramenta de manifestação do espírito neste mundo físico. É um modelo preexistente que foi introduzido, por mudanças genéticas, no nosso planeta, no momento evolutivo adequado deste, para servir de vestimenta ao espírito.
            No entanto, o espírito, o princípio inteligente individualizado, desde que é criado, evolui sempre. Assim, o espírito que evolui será sempre o mesmo, apesar de estagiar em diversos corpos físicos em diferentes reencarnações.


Fonte: A ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS – Marcel Benedeti
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

HISTÓRIA DE UM PAI

                Certo genitor laborioso e dedicado ao dever tinha um filho que, ao contrário, era fútil, vivendo como parasita explorador do pai. Aplicava o tempo nos gozos materiais e na consumpção das energias morais, mesmo que escassas.
                O pai, maduro e sábio, sempre o advertia e lhe explicava que, pelo fenômeno natural da vida, seria o primeiro a morrer, e que os haveres, por mais abundantes, quando gastos sem renovação tendiam para o desaparecimento, para a extinção.
                Informava-o que os amigos que o cercavam não lhe tinham a menor estima, antes se interessavam pelos recursos de que dispunha e, quando esses escasseassem, também desapareceriam.
                Os conselhos soavam como velha balada conhecida e recusada.
                Oportunamente, o idosos trabalhador mandou construir nos fundos da propriedade um celeiro, colocando no seu interior uma forca, tendo fixada uma placa informativa com os seguintes dizeres: “Eu jamais ouvi os conselhos do meu pai”.
                Posteriormente, quando tudo estava concluído, chamou o filho, levou-o ao celeiro e explicou-lhe:
                - Filho, encontro-me velho, cansado e enfermo. Quando eu falecer, tudo que me pertence passará à sua propriedade. Caso você fracasse, porque atirará fora todos os bens que lhe transfiro, peço-lhe que me prometa que usará esta forca, como medida de reparação do mal que nos fez a ambos.
                O moço, sem entender exatamente o que o pai desejava dizer-lhe, silenciou, a fim de o não contrariar.
                O genitor desencarnou tempos depois e o jovem herdou-lhe os bens, passando a dissipá-los com mais extravagâncias e desperdícios. Pouco tempo transcorrido, deu-se conta de que havia malbaratado todos os negócios e recursos, e estava reduzido à miséria, à solidão, até mesmo porque os falsos amigos abandonaram-no.
                Recordou-se do pai e chorou copiosamente. No pranto, recordou-se da promessa que lhe fizera, de que se enforcaria após o fracasso. Trêmulo de emoção desordenada, dirigiu-se ao celeiro e lá encontrou  a forca assim como os dizeres terríveis. Teve uma iluminação, concluindo que essa seria a única vez na sua existência em que poderia agradar ao homem nobre que fora seu pai e sempre vivera decepcionado com a sua conduta.
                Subiu então na forca, colocou o laço no pescoço e atirou-se ao ar.
                O braço da engenhoca era oco e partiu-se, caindo dele diversas joias: diamantes, rubis, esmeraldas, uma verdadeira fortuna com um bilhete, que informava: “Esta é a sua segunda chance. Eu o amo de verdade. Seu pai”.
                A partir dali a sua vida tomou novo rumo e ele mudou completamente a maneira de encarar a oportunidade.

Fonte: Psicologia da Gratidão – Divaldo P. Franco/Joanna de Ângelis
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sábado, 12 de dezembro de 2015

PROGRESSO E VIDA

(Emmanuel)
Quem lance na Terra ligeiro olhar para a retaguarda de oito lustros se espantará certamente em verificando o progresso dentro do qual a vida planetária vai marchando aceleradamente, para o futuro melhor.
Ainda assim reconhecerá que as exigências de ordem espiritual não se alteraram muito no curso do tempo.
O homem de hoje dispõe fartamente da televisão pela qual consegue, se o deseja, contemplar de perto as ocorrências do mundo, no entanto não possui autoconhecimento bastante para analisar-se de modo construtivo.
Inventa computadores que o auxiliam efetuando prodígios de informação e de cálculo, mas ainda não conhece, nas engrenagens perfeitas em que se expressam, as leis de causa e efeito que lhe presidem a experiência e o destino.
Utiliza a energia nuclear, todavia ignora ainda toda a extensão dos poderes do espírito.
Realiza voos espaciais aplicando os princípios da Astronáutica, entretanto é compelido a receber aulas de relacionamento humano a fim de harmonizar-se com os vizinhos que não lhe adotem o modo de pensar ou de crer.
Vacina-se contra a poliomielite, mas não consegue, por enquanto, imunizar-se contra os perigos do ódio e do ressentimento, da discórdia e do desespero.
Desfruta os recursos do subsolo, até mesmo do próprio mar, e descobre minas de nitrogênio nos céus que o rodeiam, no entanto não sabe manejar, senão muito imperfeitamente, os valores da alma.
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Compreendamos que a Humanidade atual efetua proezas admiráveis em todos os domínios da natureza física, mas é necessário que os nossos corações se adaptem as leis do bem que Jesus nos legou, de modo a irmanar-nos e a respeitar-nos uns aos outros, sem o que o lazer na Terra ser-nos-á fator desencadeante de tédio e delinquência e a grandeza exterior se nos erguerá em soberbo palácio – onde prosseguiremos sofrendo a míngua de amor.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

CASAIS COM FILHOS DE OUTRO CASAMENTO

                Mais complicado e complexo é o novo encaixe afetivo, se ambos os parceiros já constituíram família com filhos.
                É comum, em um novo relacionamento, estabelecer-se uma competição entre o homem que se aproximou para nova conjugação e os filhos da mulher que está sendo outra vez desposada. Um cabo de guerra se apresenta sutil ou explícito, onde, de um lado, um homem puxa a sua mulher; do outro, o filho requisita a mãe. A mulher-mãe fica no meio, estrangulada pelas demandas diferentes. Idêntico processo se dá quando é a mulher que se aproxima do pai separado com filhos.
                É importante considerar que são papéis distintos, com funções específicas que devem ser respeitadas, especialmente pelos adultos, que precisam ter maior consciência para evitar, assim, uma luta inglória, desnecessária e sem vencedores.
                Torna-se imprescindível compreender que os filhos, quase sempre, mesmo que inconscientemente, alimentam a possibilidade de reatamento da relação dos seus pais, ainda que de forma mágica. Este desejo será tanto maior quanto mais recente for a separação e menos maduros forem os espíritos dos filhos.
                Desse modo, quem se aproxima deve ter toda paciência para permitir que esse sentimento de luto se conclua naquela família na qual a separação tiver ocorrido recentemente, ao tempo em que aquele que chega se aplica em conquistar os futuros enteados.
                É de boa lembrança destacar que jamais o padrasto ou a madrasta deve usurpar o papel do pai ou da mãe existente, considerando que a separação foi conjugal e não parental. Isto favorecerá que o pai (ou a mãe) aceite com menos resistência a pessoa que ocupará o lugar do novo parceiro daquela de quem se separou, e não se sinta ameaçado de perder seus filhos para quem chega.
                Cabe, também, ao padrasto alimentar e proteger as relações sagradas já existentes no âmbito pais/filhos, entrando como aliado, e não intruso, a benefício de todos os membros, inclusive dele próprio, que se aproxima.
                Compete igualmente ao pai ou à mãe facilitar a aproximação do novo parceiro com os enteados, minimizando os conflitos que possam surgir, bem como evitando empurrar goela abaixo dos filhos o novo cônjuge, contornando, assim, as resistências previsíveis para a convivência que vai se estabelecendo e, ao mesmo tempo, fazendo a prevenção para que os filhos não minem a nova conjugalidade em curso.


Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

HÁBITOS INFELIZES

Usar pornografia ou palavrões, ainda que estejam supostamente na moda.
Pespegar tapinhas ou cotucões a quem se dirija a palavra.
Comentar desfavoravelmente a situação de qualquer pessoa.
Estender boatos e entretecer conversações negativas.
Falar aos gritos.
Rir descontroladamente.
Aplicar franqueza impiedosa a pretexto de honorificar a verdade.
Escavar o passado alheio, prejudicando ou ferindo os outros.
Comparar comunidades e pessoas, espalhando pessimismo e desprestígio.
Fugir da limpeza.
Queixarse, por sistema, a propósito de tudo e de todos.
Ignorar conveniências e direitos alheios.
Fixar intencionalmente defeitos e cicatrizes do próximo.
Irritarse por bagatelas.
Indagar de situações e ligações, cujo sentido não possamos penetrar.
Desrespeitar as pessoas com perguntas desnecessárias.
Contar piadas suscetíveis de machucar os sentimentos de quem ouve.
Zombar dos circunstantes ou chicotear os ausentes.
Analisar os problemas sexuais seja de quem seja.
Deitar conhecimentos fora de lugar e condição, pelo prazer de exibir cultura e competência.
Desprestigiar compromissos e horários.
Viver sem método.
Agitarse a todo instante, comprometendo o serviço alheio e dificultando a execução dos deveres próprios.
Contar vantagens, sob a desculpa de ser melhor que os demais.
Gastar mais do que se dispõe.
Aguardar honrarias e privilégios.
Não querer sofrer.
Exigir o bem sem trabalho.
Não saber aguentar injúrias ou críticas.
Não procurar dominarse, explodindo nos menores contratempos.
Desacreditar serviços e instituições.
Fugir de estudar.
Deixar sempre para amanhã a obrigação que se pode cumprir hoje.
Dramatizar doenças e dissabores.
Discutir sem racionar.
Desprezar adversários e endeusar amigos.
Reclamar dos outros aquilo que nós próprios ainda não conseguimos fazer.
Pedir apoio sem dar cooperação.
Condenar os que não possam pensar por nossa cabeça.
Aceitar deveres e largálos sem consideração nos ombros alheios.


Fonte: Sinal Verde – Chico Xavier/André Luiz
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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO

                Jesus define como pobres de espírito aqueles que já ostentam em si a humildade, virtude um tanto difícil de se obter, uma vez que só é conseguida mediante cansativos esforços, na luta ferrenha e determinada contra o orgulho, essa terrível chaga que nos compromete e incontáveis prejuízos tem provocado à humanidade.
                A criatura orgulhosa acredita que o mundo deva curvar-se aos seus pés, julgando-se a mais importante de todas e que nenhum dos seus desejos ou anseios podem deixar de ser atendidos. Sofre amargamente quando vê frustração em suas vontades.
                Carrega um incêndio no coração, pois que estrutura a sua vida num pedestal ilusório de fantasias e ilusões, pensando enganosamente ser muito maior do que realmente é. Não se contenta com pouco, está sempre buscando possuir e ter mais, sempre mais, sendo insaciável em suas necessidades.
                Mantendo uma visão turva e equivocada sobre a realidade do quotidiano, onde se coloca como o centro das atenções, o orgulhoso alimenta valores absurdos que o conduz, com frequência, a deliberações infelizes que são os nascedouros dos seus próprios infortúnios e também do sofrimento dos que estão soba a sua danosa influência. Enganosamente cultiva a certeza de que sabe muito e é superior aos outros.
                Esse sentimento vil e destruidor tem sido o responsável por tantas tragédias humanas, vitimando pessoas, famílias, coletividades e nações, fazendo correr rios de sangue e de lágrimas e edificando montanhas de dor e de sofrimentos, onde milhões de pessoas tem sucumbido.
                Já o homem humilde é detentor de valorosa virtude. Despido do peso desnecessário da arrogância, do preconceito, da vaidade e da presunção, vive desarmado e com a liberdade de quem consegue passar pela vida como o mais fico de todos, pois que administra a sua existência visando sobreviver com um mínimo de necessidades.
                Reconhecendo o seu real valor no contexto da humanidade, vive com simplicidade, embora não medindo esforços e dedicação visando a superação dos seus limites. Contenta-se com o que tem e suas conquistas são feitas de forma a não prejudicar criatura alguma.
                A resignação, a fraternidade, o altruísmo e o firme desejo de fazer sempre o bem são atributos encontrados na intimidade dos humildes, que via de regra são cativantes, pacíficos e amáveis.
                Elege sempre um clima de solidariedade para viver, onde prioriza ações e comportamentos, buscando a valorização do bem-estar da criatura humana.
                Sente imensa satisfação ao identificar a alegria do próximo e trabalha diuturnamente para que o seu irmão do caminho encontre a plenitude de suas realizações e anseios.
                Tendo constantemente a preocupação de servir e amar por onde passa, consegue compreender aqueles que ainda estão seguindo na contra-mão daquilo que é realmente belo, nobre e sublime.
                Confiando plenamente no Criador, carrega a convicção absoluta de que tudo caminha sob os olhares atentos e responsáveis de Jesus e se dedica, ao máximo, visando contribuir com a definitiva implantação do reino de Deus aqui na Terra.
                Enquanto o orgulhoso se fecha, egoisticamente, em si mesmo, na defesa dos seus conceitos absurdos, carregando o peso da armadura, da insensibilidade, o humilde se expande livremente volitando nas asas da alegria em servir ao próximo, de viver com poucas necessidades, de ser um instrumento de paz entre os homens e de ajudar a construir um mundo mais humano, fraterno e solidário.
                Bem aventurados os pobres de espírito, disse Jesus. Bem aventurados os humildes, os simples, os desarmados, os fraternos, os solidários... bem aventurados os que conseguem colocar o sorriso no rosto alheio.

Waldenir Cuin


Fonte: Jornal Espiritismo Estudado – março/2015
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

PÁGINA DO CAMINHO

Cap. X – Itens 5 e 6
Não aguardes o amigo perfeito para as obras do bem.
Esperavas ansiosamente a criatura irmã, na soleira do lar, e o matrimônio trouxe alguém a reclamar-te sacrifício e ternura.
Contavas com teu filho, mas teu filho alcançou a mocidade sem ouvir-te as esperanças.
Sustentavas-te no companheiro de ideal e, de momento para outro, recolheste mistura vinagrosa na ânfora da amizade em que sorvias água pura.
Mantinhas a fé no orientador que te merecia veneração e, um dia, até ele desapareceu de teus olhos, arrebatado por terríveis enganos.
Contudo, embora a dor de perder, continua no trabalho edificante que vieste realizar…
Ninguém reprova o doente porque sofra mal-humorado.
Ninguém censura a árvore que deixou de produzir porque o lenhador lhe haja decepado os braços frondejantes.
Quase sempre, aqueles que tomamos por afetos mais doces, crendo abraçá-los por sustentáculos da luta, simbolizam tarefas que solicitam renúncia e apostolados a exigirem amor.
Não importa o gelo da indiferença, nem o bramido da incompreensão, se buscamos servir.
O coração mais belo que pulsou entre os homens respirava na multidão e seguia só. Possuía legiões de Espíritos angélicos e aproveitou o concurso de amigos frágeis que o abandonaram na hora extrema. Ajudava a todos e chorou sem ninguém. Mas, ao carregar a cruz, no monte áspero, ensinou-nos que as asas da imortalidade podem ser extraídas do fardo de aflição, e que, no território moral do bem, alma alguma caminha solitária, porque vive tranqüila na presença de Deus.
Albino Teixeira

Fonte: O Espírito da Verdade         
Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira
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domingo, 6 de dezembro de 2015

SABER E FAZER

“Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” — Jesus. (JOÃO 13:17)

Entre saber e fazer existe singular diferença. Quase todos sabem, poucos fazem. Todas as seitas religiosas, de modo geral, somente ensinam o que constitui o bem. Todas possuem serventuários, crentes e propagandistas, mas os apóstolos de cada uma escasseiam cada vez mais.
Há sempre vozes habilitadas a indicar os caminhos. É a palavra dos que sabem.
           Raras criaturas penetram valorosamente a vereda, muita vez em silêncio,
abandonadas e incompreendidas. É o esforço supremo dos que fazem.
Jesus compreendeu a indecisão dos filhos da Terra e, transmitindo-lhes a palavra da verdade e da vida, fez a exemplificação máxima, através de sacrifícios culminantes.
A existência de uma teoria elevada envolve a necessidade de experiência e trabalho. Se a ação edificante fosse desnecessária, a mais humilde tese do bem deixaria de existir por inútil.
João assinalou a lição do Mestre com sabedoria. Demonstra o versículo que somente os que concretizam os ensinamentos do Senhor podem ser bem-aventurados.
Aí reside, no campo do serviço cristão, a diferença entre a cultura e a prática, entre saber e fazer.

Fonte: CAMINHO, VERDADE E VIDA
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/EMMANUEL
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sábado, 5 de dezembro de 2015

LIBERTAÇÃO DO SOFRIMENTO

                Seja qual for o tipo de sofrimento, as suas garras produzem chagas de demorado processo degenerativo, que leva, às vezes, à alucinação, ao despautério, às arbitrariedades, especialmente as pessoas destituídas de resistências morais.
                Normalmente, a sua intensidade é captada conforme a sensibilidade de quem o experimenta.
                Sofredores há, na esfera física, portadores de alta capacidade para suportar-lhe a injunção, que, no entanto, tombam, desalentados, quando eles se apresentam no campo moral.
                A recíproca é verdadeira, consagrando os heróis das resistências quase inacreditáveis, sob o jugo dos terríveis acúleos cravados  nos tecidos da alma.
                O sofrimento está muito relacionado com o processo de evolução espiritual.
                A ampla sensibilidade faculta-lhe maior profundidade emocional, que responde pelas angústias e desagregações interiores, sem queixumes, nem acusações. O padecente silencia a dor e deixa-se estraçalha interiormente, em especial quando tomba nas aflições morais, derivadas da traição, da injustiça, da crueldade, do abandono, do isolamento...
                Se possuem fé religiosa e transferem o testemunho para o futuro espiritual, suportam melhor as lâminas cortantes com equilíbrio, logrando vencer a conjuntura, superando-se e saindo da crise com amadurecimento e paz. As enfermidades de larga duração aformoseiam-lhes o caráter e dão-lhes maior quota de amor aos sentimentos, que transbordam de ternura.
                Quando atingem aqueles que estagiam em faixas menos evolutivas, as enfermidades brutalizam-nos e asselvajam-lhes as bases dos sentimentos, que se desenvolviam noutra direção benéfica.
                O espiritismo, em razão da sua complexa estrutura cultural, científica, moral e religiosa, é a doutrina capaz de equacionar o sofrimento, liberando as suas vítimas.
                Carl Gustav Jung foi possivelmente quem melhor penetrou a realidade do sofrimento, propondo a sua elucidação e cura. Enquanto a preocupação geral se baseava nos resultados físicos, no bem-estar emocional, sob a angulação médica, ele recorreu a dois métodos para encontrar-lhe a gênese e a solução: os sonhos e a imaginação.
                Embora reconhecesse que toda generalidade peca por insuficiência de recursos para o atendimento, desde que cada caso é específico e exige uma linguagem terapêutica especial, adotava os dois comportamentos como método eficaz para os resultados saudáveis.
                Ao mesmo tempo recomendava o apoio religioso, portador de excelentes contribuições para a cura da alma, na qual se sediam todas as causas dos sofrimentos.
                A individuação e a marcha na direção do numinoso constituíram-lhe valiosos mecanismos terapêuticos para os problemas dos pacientes que o buscavam.
                A promoção moral proposta elo espiritismo e a contribuição extraordinária que dá, através do fato de ser a alma imortal – herdeira dos próprios atos que, equivocados, são geradores de sofrimentos – e da reencarnação – em cujos renascimentos o ser espiritual se depura, mediante, não raro, o sofrimento – constituem terapias irrecusáveis, no programa de eliminação da dor no homem e na Terra.
                O sofrimento tem vigência transitória, por ser efeito do desequilíbrio da energia que, direcionada para o bem pra o amor, deixa de desarticular-se, facultando aos seres a iluminação, a plenitude, portanto, a saúde integral, que a todos os seres do mundo está reservada pelo Pai Criador.

Fonte: PLENITUDE         
Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

POSIÇÃO CORRETA III

                Nem todos os deficientes físicos encontram-se em punição...
                Steinmetz, limitado por tormentosa deformidade fez-se mestre em pesquisas elétricas, deixando patentes de mais de duzentas invenções...
                Milton, cego e trôpego, ofereceu à humanidade o excelente “paraíso perdido”, considerado um dos mais belos poemas de língua inglesa.
                Beethoven, surdo, melhor pode compor, legando à posteridade a grandiosa Nona Sinfonia, que é considerada a mais perfeita e bela superando as anteriores.
                Pasteur, vitimado por pertinaz enfermidade, contribuiu, decisivamente, para revelar a vida microbiana...
                Limitados, em ministério de luz, ensinando o homem, forte e sadio, a não se deter sem se apoiar em bengalas desculpistas para fugir à luta.
                Com deficiências ou não de que te vejas objeto, coopera com o teu irmão em luta, laborando com ele, como Jesus, ao lado dos padecentes de toda natureza, renovando, libertando espíritos e corações, e encaminhando-os ao “reino de Deus” que, afinal, se encontra dentro década um de nós.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

POSIÇÃO CORRETA II

                Se lhe concedes o ensejo de realizar e realizar-se, ele verá o mundo humano e digno, dignificando-se na luta e crescendo em júbilo com entusiasmo.
                Se lhe cerceias o passo, negando-lhe ensejo, por preconceito ou inferioridade de tua parte, oferecer-lhe-ás a visão incorreta da Terra, deixando-o amargurar-se, cair em depressão alienar-se...
                Excelentes trabalhadores revelam-se os que sofrem deficiências físicas.
                Aprimoram valores, desenvolvem outras aptidões e firmam-se com dedicação nas realizações a que se entregam.
                Seja qual for a limitação física do teu próximo, ele se encontra, na Terra, qual ocorre contigo próprio, com o objetivo superior de crescer, redimindo-se do ontem e planificando o amanhã.
                Honra-o com a concessão do momento, a fim de que possa demonstrar o valor de que é dotado.
                Caso estivesses com alguma problemática dessa natureza, anelarias por oportunidade de trabalho com a qual te realizarias.
                Não o habitues à esmola humilhante, de que ele não necessita.
                Coopera para educá-lo, facultar-lhe uma profissão e contribuir para que ele a exerça nobremente.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

POSIÇÃO CORRETA I

                Ante os irmãos portadores de deficiências físicas, procura manter uma posição mental e social correta. Nem a compaixão injustificável, nem a indiferença fria para com eles.
                O teu irmão limitado aguarda de ti uma oportunidade digna, a fim de exercer a tarefa e cumprir a finalidade para as quais se encontra na Terra.
                Da mesma forma como ocorre contigo, é alguém que se recupera de lamentáveis equívocos passados.
                As marcas e limitações que nele percebes não constituem maldição, nem significam motivo de abandono.
                Também tu possuis deficiências e limites, quiçá, mais graves, com a diferença única de que os teus são ocultos e os demais os ignoram.
                Anteriormente, em inúmeras civilizações e culturas, o deficiente físico, ao nascer, era arrojado à morte, impiedosamente.
                O homem peregrinava, então, do instinto para a razão, sem haver-se beneficiado com as dádivas do amor.
                Com Jesus, a benção da solidariedade transformou-se em dever de todas as criaturas umas para com as outras.
                O deficiente físico é, psiquicamente, normal, gente, conforme a linguagem usual, com sentimentos e raciocínio que o fazem ver o mundo, porém, através da ótica de como seja recebido e tratado.


Fonte: ALERTA – Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis
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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

MENSAGEM DO HOMEM TRISTE

             Passaste por mim com simpatia, mas quando me viste os olhos parados, indagaste em silencio porque vagueio na rua.
Talvez por isso estugaste o passo e, embora te quisesse chamar, a palavra esmoreceu-me na boca. É possível tenhas suposto que desisti do trabalho, no entanto, ainda hoje, bati, em vão, de oficina a oficina. Muitos disseram que ultrapassei a idade para ganhar dignamente o meu pão, como se a madureza do corpo fosse condenação à inutilidade, e outros, desconhecendo que vendi minha roupa melhor para aliviar a esposa doente, despediram-me apressados, acreditando-me vagabundo sem profissão.
Não sei se notaste quando o guarda me arrancou à contemplação da vitrina, a gritar-me palavras duras, qual se eu fosse vulgar malfeitor. Crê, porém, eu nem de leve me passou pela mente a idéia de furto: apenas admirava os bolos expostos, recordando os filhinhos a me abraçarem com fome, quando retorno à casa.
Ignoro se observaste as pessoas que me endereçavam gracejos, imaginando-me embriagado, porque eu tremesse, encostado ao poste: afastaram-se todas, com manifesto desprezo, contudo não tive coragem de explicar-lhes que não tomo qualquer alimento, há três dias.
A ti, porém, que me fitaste sem medo, ouso rogar apoio e cooperação. Agradeço a dádiva que me estendas, no entanto, acima de tudo, em nome do Cristo que dizemos amar, peço me restituas a esperança, a fim de que eu possa honrar, com alegria, o dom de viver. Para isso, basta que te aproximes de mim, sem asco, para que eu saiba, apesar de todo o meu infortúnio, que ainda sou teu irmão.


Fonte: Ideal Espírita – Chico Xavier/Meimei
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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

REENCARNAÇÃO DOS ANIMAIS

Pergunta - A barata é evoluída? Por que ela causa tanta aversão?
Resposta - Partindo do princípio de que todo espírito é criado simples e ignorante e que tudo no universo é relativo, podemos dizer que sim.
            Uma barata é um ser espiritual evoluído, mas não, se compararmos com outros seres espirituais que se encontrem em fases anteriores à sua posição evolutiva.
     Se compararmos uma barata com uma planta ou com uma bactéria, um protozoário, poderíamos dizer que para estes seres ela está em posição semelhante à que nós nos encontramos em relação a ela. Baratas são animais que vivem de restos de dejetos e são transmissoras de doenças. Nós como somos seres espirituais estagiários na fase animal, que ainda possuímos muitas reações instintivas, nos sentimos incomodados com a presença delas, pois o nosso instinto de preservação nos avisa para sermos cuidadosos e nos librarmos de sua presença perigosa.
     Portanto, a aversão é algo que ainda podemos considerar como aceitável em nossa condição atual de animais instintivos.
       Futuramente, quando nos tornarmos seres mais evoluídos e nosso mundo se encontrar em outra fase mais adiantada, não existirão  mais animais ameaçadores e esses instintos desaparecerão.


Fonte: A ESPIRITUALIDADE DOS ANIMAIS – Marcel Benedeti
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

INSTINTO E VIRTUDE

(J. Herculano Pires)
          Seria o amor materno uma virtude ou apenas um instinto que tanto se manifesta na Humanidade quanto nos animais? Kardec propôs essa questão aos Espíritos Superiores e podemos encontra-la, com a resposta dada, na pergunta 890 de O Livro dos Espíritos.

Os Espíritos respondem que o amor materno é instinto nos animais e também na criatura humana, mas nos animais é limitado as necessidades de conservação e desenvolvimento da prole, desaparecendo em seguida. E acrescentam: “Na criatura humana persiste por toda a vida e comporta um devotamento e uma abnegação que constituem virtudes, pois sobrevivem a

própria morte, acompanhando o filho além da tumba. Vede que há nele alguma coisa mais do que no animal”.

Nas sessões mediúnicas, quando nos defrontamos com Espíritos endurecidos, vemos quase sempre que eles são socorridos pelas mães que se desvelam no mundo espiritual a ampará-los e desviá-los do erro. E o amor materno acompanhando-os além da tumba. São fatos assim que nos dão a segurança da verdade espírita, pois de Kardec até hoje os princípios doutrinários são confirmados em todas as experiências sérias e bem dirigidas.

Na mensagem de Emmanuel temos também o problema do amor fraterno, que é essencial para a evolução humana. Esse amor, que abrange todas as criaturas, depende da nossa capacidade de superação do egoísmo, de nos elevarmos acima de nós mesmos para podermos perdoar e aceitar os outros. É o caso da esposa abandonada pelo marido que a deixa em dificuldades para criar e educar os filhos. Emmanuel lembra a carga de forças negativas procedentes de existências anteriores e a fragilidade da criatura humana para vencê-las em certas circunstâncias. Daí aconselhar a mulher que não condene o transfuga, para não aumentar essa carga, auxiliando-o a vencê-la com os seus bons pensamentos e sentimentos de amor.

A mãe está biológica e espiritualmente mais ligada aos filhos do que o pai. Nela, portanto, o instinto natural e a virtude moral se conjugam de maneira mais profunda. Grande é a responsabilidade paterna pelos filhos, mas a responsabilidade materna é ainda maior.

 

Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

CRIANÇAS EM DIFICULDADES

(Chico Xavier)
“Nossa reunião publica do dia 4 de setembro de 1972 foi integrada por grande número de senhoras, sendo precedida por longo diálogo em que algumas delas formulavam perguntas em torno de crianças em dificuldades, conquanto filhas de pais ainda vivos na Terra.
“Como agir diante dos pequeninos em tenra infância, sob o impacto das questões que aparecem na área dos casais desquitados? Como socorrer as criancinhas abandonadas pelos pais nas mãos abnegadas, entretanto em penúria, de mães largadas pelos companheiros?
“Que fazer dos pequeninos nascidos de dedicadas mães solteiras em luta pela própria manutenção? Como agir a mulher diante dos filhinhos necessitados de proteção e assistência, quando os maridos ou companheiros se fazem alcoólatras inveterados?
“Indagações quais essas foram feitas em grande número. E os argumentos alusivos ao assunto foram os mais diversos.
 “Ao término da reunião nosso caro Emmanuel escreveu a mensagem “Palavras as mães”.
Palavras às mães
(Emmanuel)
Se o Senhor te concedeu filhos ao coração de mulher, por mais difícil se te faça o caminho terrestre, não largues os pequeninos à ventania da adversidade.
É possível que o companheiro haja desertado das obrigações que ele próprio aceitou, bandeando-se para a fuga sob a compulsão de enganos, dos quais um dia se desvencilhara.
Não lhe condenes, porém, a atitude. Abençoa-o e, quanto possível, ampara os filhos inexperientes que te ficaram nos braços fatigados de espera.
Quem poderá, no mundo, calcular a extensão das forças negativas que assediam, muitas vezes, a criatura enfrascada no corpo físico, induzindo-a a transitório esquecimento dos encargos que abraçou? Quem conseguirá, na Terra, medir a resistência espiritual da pessoa empenhada ao resgate complexo de compromissos múltiplos a lhe remanescerem das existências passadas?
Se foste sentenciada a indiferença e, em muitas ocasiões, até mesmo a extremada penúria, ao lado de pequeninos a te solicitarem proteção e carinho, permanece com eles e, esposando o trabalho por escudo de segurança e tranquilidade, conserva a certeza de que o Senhor te proverá com todos os recursos indispensáveis a precisa sustentação.
Natural preserves a própria independência e que não transformes a maternidade em cativeiro no qual te desequilibres ou em que venhas a desequilibrar os entes amados, através do apego doentio. Mas enquanto os filhos ainda crianças te pedirem apoio e ternura, de modo a se garantirem na própria formação da qual consigam partir em demanda ao mar alto da experiência, dispensando-te a cobertura imediata, auxilia-os, quanto puderes, ainda mesmo a preço de sacrifício, a fim de que marchem, dentro da segurança necessária, para as tarefas a que se destinam.
Teus filhos pequeninos!… Recorda que as Leis da Vida aguardam do homem a execução dos deveres paternais que haja assumido diante de ti; entretanto, se és mãe, não olvides que a Previdência Divina, com relação ao homem, no que se reporta a conhecimento e convívio, determinou que os filhos pequeninos te fossem confiados nove meses antes.


Fonte: Na Era do Espírito – Chico Xavier/José Herculano Pires
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terça-feira, 24 de novembro de 2015

CASAMENTO E CULTURA DO DIÁLOGO II

Deficiências na tentativa de diálogo:
      1-      Transformamos a conversa em monólogo.
Uma boa conversa segue a sabedoria do corpo: dois ouvidos, uma boca e uma cabeça, tendo uma base – o coração. Simbolicamente, devemos ouvir mais do que falar; sempre usar a cabeça, ou seja, a reflexão, a ponderação, o ajuizamento; fazer isso a partir do coração, consagrando, assim, a integração de tudo o que falamos em bases amorosas.
2-      Só tentamos dizer as coisas que sentimos na hora das brigas.
Devemos exercitar o entendimento em cima da crise; todavia, será de boa lembrança reservar tempo à conversação nos momentos de armistício, para tratarmos dos assuntos conflituosos que suscitam as arengas. Falar o que se deve de cabeça quente e conseguindo paz é muito difícil, mas dissolver o nó do desentendimento com a cabeça fria é mais factível e prudente, por ser mais sábio.
3-      Atacamos, transformando a fala em instrumento de esgrima.
A partir das idéias que cada um apresenta pela conversação, o casal constrói um entendimento novo, superando os velhos argumentos que lhe serviram de ponto de partida.
Quando alguém vence no diálogo, o casal perde, porque o diálogo não deve ser uma disputa; antes, a busca de novas possibilidades de encontro.
4-      Achamos que sempre detemos a verdade.
O parceiro que se encastela na sua verdade como a única, em detrimento da do outro, esquece que, no diálogo, a verdade é sempre algo a ser descoberto, elaborado a dois, com base nas antigas verdades de cada um. O ponto de vista é a janela pela qual cada um enxerga o mundo, constituindo a sua verdade naquele momento.
Sempre, entre duas pessoas, há pelo menos quatro verdades: a de cada uma delas, a construída pelo casal e a Verdade. As três primeiras são verdades relativas; só a última é absoluta.
5-      Reprimimos inoportunamente nosso verbo, ante a fala do outro, em falsa atitude de resignação e obediência.
Segundo Kardec, a obediência e a resignação são duas virtudes que operam em nível de razão e sentimento, respectivamente, não sendo, portanto, nocivas à comunicação do casal; antes, são necessárias à construção do diálogo, calculando-se a dose certa de silêncio e fala, a benefício da dupla em interação.
Quando sempre represamos a nossa expressão vocal, apenas adiamos sua inevitável manifestação, que surge, muitas vezes, na hora errada, no lugar inapropriado e num tom indesejável.
6-      Em vez de falar, gritamos, como se o outro sofresse de surdez sensorial.
O grito é uma das formas de defesa imatura de alguém que não sustenta o enfrentamento saudável de idéias, raciocínios e argumentos diferentes; gritar é uma das formas de silenciar o outro, ou de impor suas razões pela força... no grito.
7-      Vomitamos o que represamos, indebitamente, ao longo de meses ou anos.
É melhor esvaziar costumeiramente as demandas internas, evitando o acúmulo sempre perigoso de transbordar em ocasião inadequada e com atitude desproporcional. O hábito de conversar sempre, cotidianamente, evita explosões desnecessárias e nocivas.
8-      Saímos do recinto como crianças desapontadas, quando deveríamos apresentar nosso arrazoado.
Acostumamo-nos a ter nossos caprichos satisfeitos, quando crianças, e daí reagimos emocionalmente de maneira imatura diante de alguém que contrarie e recuse nossas opiniões pessoais.          
9-      Sempre queremos ter razão, e para isso às vezes manipulamos as palavras, a fim de vencermos o outro no debate transformado em competição.
Sofismar representa fragilidade moral com que se pretende compensar a nossa falta de argumentos. Um pouco de humildade faz reconhecer que a opinião ou ação do outro é mais justa, devendo ser mais bem considerada para a felicidade do casal.
10-   Não terminamos um ciclo de debates, ou seja, não conseguimos ir até o fim de uma conversação. Sempre fugimos.
É comum interrompermos a discussão de um assunto por motivos variados, deixando, “ad aeternum”, aquilo que está em pauta, pela metade, aos pedaços, retardando ou evitando encontros genuínos.
Um diálogo fecundo tem começo, meio e fim, ainda eu não se conclua definitivamente o assunto, mas amplia-se a análise com o aprofundamento da compreensão. Mais tarde, cada parceiro pode refletir “de per si” sobre os conteúdos produzidos. E assim, quando ambos retomam o tema, já amadureceram em relação ao assunto discutido.
                Por todo o mencionado, e saudável para a vida comum a cultura do adestramento na arte do diálogo a dois, favorecendo a troca de experiência no cotidiano. E auxiliando, também, no equacionamento de questões espinhosas que surjam exigindo destreza conjugal, de tal modo que não precisemos chamar uma ou duas testemunhas, tampouco a “igreja”, o grupo.

Fonte: CASAMENTO: A ARTE DO REENCONTRO – ALBERTO ALMEIDA 
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